Ibovespa cai 0,20% com pressão de Vale; dólar recua e Petrobras limita perdas
O Ibovespa fechou a sessão de segunda-feira, 20, em leve queda de 0,20%, aos 173.371,35 pontos, em um pregão marcado pela cautela de investidores diante da escalada de tensões no Oriente Médio e das incertezas sobre os próximos passos da política monetária brasileira. O baixo volume financeiro de R$ 15,8 bilhões refletiu o fluxo reduzido de investidores estrangeiros no período.
A queda do principal índice da B3 acompanhou a performance negativa das ações norte-americanas, com as perdas limitadas pelo desempenho positivo de alguns papéis. O dólar à vista, por sua vez, encerrou as negociações em queda de 0,42%, cotado a R$ 5,0896.
A Petrobras foi destaque ao contribuir para amortecer a queda do índice. Com alta do petróleo ao longo do dia, a ação da Petrobras, que detém cerca de 12% de participação na carteira do Ibovespa, foi impulsionada e ajudou a contrapor a pressão exercida por outros papéis. O setor bancário também contribuiu para impedir uma queda mais intensa do índice, com o Índice Financeiro (IFNC) terminando o pregão com avanço de 0,09%. O Itaú, que detém aproximadamente 8% de participação na carteira do IBOV, teve ganho de 0,81%, cotado a R$ 42,30.
Em contraponto, Vale exerceu pressão significativa sobre o índice. A mineradora, que detém 11% de participação do Ibovespa, encerrou o dia com recuo de 1,38%, fechando a R$ 71,93, em linha com a queda do minério de ferro. Setores como varejo e construção também operaram para baixo durante a sessão.
Segundo o analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, o otimismo de uma aproximação entre Estados Unidos e Irã perdeu força ao longo do dia, deteriorando o sentimento do mercado. O analista avaliou que foi um pregão de pouco apetite a risco, com o mercado muito à mercê das notícias sobre o conflito no Oriente Médio.
No âmbito doméstico, investidores acompanharam a melhora nas estimativas de inflação. Conforme o Boletim Focus do Banco Central, a projeção para a inflação deste ano foi reduzida pela terceira vez consecutiva. Para 2026, a projeção do IPCA recuou de 5,16% para 5,15%, enquanto para 2027 a estimativa se manteve em 4,20%. Para 2028, a estimativa subiu de 3,70% para 3,78%. A taxa básica de juros Selic foi mantida em 14% para 2026, e a estimativa de câmbio para 2026 seguiu em R$ 5,20.
Outro fator acompanhado pelo mercado foram as discussões entre o governo federal e segmentos afetados pelas tarifas dos Estados Unidos. Uma sobretaxa de 25% entra em vigor na próxima quarta-feira, 22, com expectativa de que na sexta-feira, 24, seja anunciada uma nova sobretaxa adicional de 12,5%.
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