Ibovespa cai 0,17% com queda da Petrobras; ações domésticas sobem ante eleição
O Ibovespa recuou 0,17%, fechando em 205.079,25 pontos nesta segunda-feira. Durante o pregão, o índice oscilou entre a máxima de 207.387,56 pontos e a mínima de 204.268,99 pontos. O volume financeiro movimentado na sessão totalizou R$ 31,99 bilhões.
A queda foi principalmente pressionada pelo ajuste negativo na Petrobras (PETR4), que ofuscou o desempenho positivo de ações ligadas ao consumo doméstico. Empresas como Azza 2154 (AZZA3) e MRV (MRVE3) subiram mais de 10% no período.
Analistas do BB Investimentos indicam que o Ibovespa encontrou um novo patamar de precificação em torno do qual deve oscilar ao longo da semana, operando entre 204 e 207 mil pontos. Segundo relatório da instituição, a proximidade do segundo turno das eleições no Brasil mantém o padrão de volatilidade elevado, fazendo com que esse intervalo de preços forneça suportes e resistências fracos, mesmo no curtíssimo prazo.
Novas pesquisas eleitorais divulgadas nesta segunda-feira reforçaram o cenário disputado para o segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A pesquisa BTG/Nexus e a Atlas/Bloomberg mostraram Flávio numericamente à frente de Lula, porém com a vantagem reduzida. Já a PoderData/Aya mostrou o candidato do PL retomando a liderança na disputa.
A acomodação do Ibovespa ocorre após a semana anterior, quando acumulou declínio de 1,74%, em contraste com a reação bastante positiva que acompanhou o desfecho do primeiro turno, quando o índice renovou recordes com melhor desempenho de Flávio.
Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, avalia que a semana deve ser de bastante cautela, sem grandes movimentos, caso não haja alguma mudança de sinal muito grande nas pesquisas. Perri também considera que o investidor estrangeiro pode ficar mais cauteloso nos próximos dias, a menos que ocorra alguma sinalização que garanta chance de vitória de Flávio muito maior do que a que está precificada.
Operadores do mercado financeiro também expressam preocupação quanto à falta de detalhamento sobre o plano fiscal apresentado por Flávio Bolsonaro, uma questão que ganhou relevância após debate na TV Band realizado no domingo.
No mercado de petróleo, a queda da Petrobras refletiu movimento internacional. O contrato mais líquido do petróleo Brent para dezembro fechou com baixa de 0,28%, a US$ 109,55 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do West Texas Intermediate (WTI) para o mesmo mês caiu 0,48%, a US$ 98,54 o barril, embora a semana tenha registrado avanço de 7,8%.
Os preços do petróleo foram impactados por fatores contraditórios: o aumento das tensões no Oriente Médio, ante o alívio de algumas sanções e tarifas impostas à Rússia por ordem do presidente dos EUA, Donald Trump, na sexta-feira. Trump reforçou no domingo o apoio à reeleição do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e ameaçou intensificar as ações contra o Irã caso Teerã não mude de postura. O presidente norte-americano também defendeu sua decisão de abrandamento de sanções à Rússia e acusou o líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de prejudicar o abastecimento mundial de diesel com ataques a refinarias russas.
Apesar das ameaças recentes, Washington e Teerã poderão anunciar ainda nesta semana um avanço significativo nas negociações mediadas por Catar e Paquistão para evitar a retomada da guerra, segundo informações divulgadas. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, relembrou que a proposta para a reabertura do Estreito de Ormuz, apresentada aos EUA como parte de um plano de sete dias, continua sobre a mesa.
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