Ibovespa cai 0,10% com ruído do Copom; dólar sobe a R$ 5,17
O Ibovespa encerrou as negociações nesta quinta-feira, 18, em leve queda de 0,10%, aos 168.277,55 pontos, contrariando o desempenho positivo das bolsas americanas. Durante o pregão, o índice oscilou entre a mínima de 167.910,63 pontos e a máxima de 169.542,37 pontos, com volume financeiro de R$ 25,9 bilhões negociados.
O dólar à vista encerrou as negociações com valorização mais acentuada, fechando a R$ 5,1752, com alta de 1,32% no período.
O fraco desempenho do principal índice da B3 foi impulsionado pelos impactos do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgado durante o pregão. O colegiado decidiu, de forma unânime, reduzir a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, configurando a terceira redução consecutiva do Banco Central, conforme esperado pelo mercado. Apesar da decisão estar alinhada com as projeções dos analistas, o documento gerou aversão a risco entre os investidores.
No comunicado, o BC destacou piora marginal nas projeções de inflação e aumento das incertezas no cenário externo, com atenção especial às tensões no Oriente Médio. A instituição passou a enfatizar o "ajuste total" do ciclo de política monetária, em vez de focar no ritmo de cortes. Simultaneamente, o documento manteve a "porta aberta" para novos cortes da Selic, posicionamento que, na avaliação de economistas, contrasta com o tom mais restritivo adotado pelos principais bancos centrais ao redor do mundo.
O Goldman Sachs identificou um descompasso fundamental no documento: a flexibilização da política monetária em andamento contradiz a piora das projeções de inflação para o horizonte relevante de análise. Esse conflito de sinais intensificou a percepção de desconexão entre as ações do BC e a evolução esperada dos preços.
O ponto mais controverso do comunicado foi a sinalização antecipada da chamada "rolagem" do horizonte relevante da política monetária. Na prática, o BC adiou o atingimento da meta de inflação de 3% do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028. Essa mudança reforçou a percepção de mercado de que pode haver novo corte da Selic em agosto, leitura interpretada por investidores como uma postura de leniência do BC com a inflação.
No lado positivo das ações, a WEG liderou os ganhos com alta de 4,59%, fechando a R$ 45,81. A valorização foi impulsionada pelo anúncio do pagamento de R$ 438,1 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), correspondendo a R$ 0,10 por ação. Os acionistas com posição acionária em 19 de junho de 2026 terão direito ao provento. A partir de 22 de junho, os papéis passarão a ser negociados na condição "ex-JCP".
Na ponta negativa, a Braskem liderou as quedas com baixa de 10,27%, fechando a R$ 7,51. O mercado ainda repercutia uma decisão da Justiça relacionada à companhia, conforme indicado nas fontes.
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