EY investe US$ 100 milhões em bônus para funcionários que desenvolvem habilidades humanas
A inteligência artificial reacendeu o interesse da Geração Z pela profissão contábil. À medida que a tecnologia automatiza tarefas operacionais consideradas entediantes, a carreira se torna mais atraente para jovens profissionais que buscam estabilidade e bons salários. Porém, essa transformação cria um novo desafio para o setor: convencer clientes de que a expertise humana por trás do trabalho continua merecendo remuneração adequada.
A Ernst & Young, integrante do Big Four de firmas multinacionais de serviços profissionais, aposta que merece. A empresa pretende desembolsar US$ 100 milhões para recompensar funcionários norte-americanos que desenvolvam habilidades "orientadas para o futuro", como acuidade empresarial, julgamento e adaptabilidade, além de experimentarem tecnologia para impulsionar inovação e melhorar os serviços prestados aos clientes.
O programa oferece duas modalidades de prêmio. Profissionais podem receber reconhecimentos pontuais de até US$ 500. Já indivíduos e equipes cujo trabalho tenha impacto material para a firma podem receber recompensas em dinheiro de até US$ 25 mil, segundo informações do Wall Street Journal.
Ginnie Carlier, Chief Talent and Culture Officer da EY Americas, afirmou em comunicado: "Como recompensamos nossos colaboradores define o que valorizamos como empresa. E o que valorizamos são profissionais confiantes que continuamente se desafiam a aprender rápido e gerar impacto duradouro. Com esses prêmios, estamos capacitando os profissionais da EY a trazerem uma mentalidade curiosa para seu trabalho, a questionar o que é possível e a moldar o futuro da EY EUA".
A iniciativa da EY emerge em contexto em que firmas de contabilidade exigem que colaboradores se tornem mais fluentes em IA sem perder as competências humanas distintas que não podem ser facilmente automatizadas. Para profissionais mais jovens que entram no setor, esse equilibrio já se configura como elemento complicado, porém central, na preparação para uma carreira.
Os dados da concorrente KPMG ilustram essa dinâmica. Entre sua mais recente turma de estagiários de verão, 76% afirmaram que o sucesso futuro exigirá tanto habilidades humanas fortes quanto a capacidade de orientar efetivamente inteligência artificial. Simultaneamente, 43% expressaram preocupação de que a dependência excessiva de tecnologia pudesse limitar suas habilidades de pensamento crítico, sinalizando que profissionais em início de carreira já pensam estrategicamente sobre quais competências precisam proteger conforme IA assume mais de suas atribuições.
Derek Thomas, national partner-in-charge dos serviços de auditoria nos EUA da KPMG, sublinha que "para profissionais em início de carreira que aspiram a posições de liderança, a capacidade de avaliar informações, aplicar contexto, exercer julgamento sólido e explicar o 'porquê' por trás de uma recomendação será crítica".
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