Durigan descarta retaliação aos EUA e defende uso de medidas de reciprocidade
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou nesta sexta-feira a possibilidade de o Brasil adotar retaliação contra os Estados Unidos em resposta à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. De acordo com Durigan, a palavra retaliação está fora do escopo de trabalho do governo.
"Não cabe falar em retaliação aos EUA por tarifas, estamos falando de avaliar os mecanismos de reciprocidade", disse o ministro em entrevista a jornalistas. Durigan reforçou que a reciprocidade tem sido avaliada para ser usada na medida e no tempo correto, ressaltando que o Congresso aprovou por unanimidade uma lei que protege os interesses nacionais e oferece procedimento próprio para ser utilizado em caso de ataques unilaterais de outros países.
Ao contextualizar a situação política, Durigan afirmou que não se pode usar o momento político-eleitoral para fazer ataques políticos e prejudicar a economia. "Meu papel é garantir que a economia siga estável", disse ele. "Seja discutindo com empresários, seja avaliando com cautela qual o processo de reciprocidade que Congresso nos ofereceu."
O ministro reconheceu que existe um elemento político nas tarifas impostas pelos EUA. "É evidente que tem um elemento político nas tarifas. Como o Brasil ganha o argumento técnico, o argumento de comércio, não sobra outra coisa a não ser um argumento político-eleitoral", afirmou. Durigan também criticou a interferência de Washington nas economias locais, apontando isso como uma preocupação vista em outros países da região. Para ele, o apoio da família Bolsonaro às medidas dos Estados Unidos "afronta o patriotismo mais básico dos brasileiros".
Apesar da situação desafiadora, Durigan ressaltou que o Brasil não pode se acovardar. "O Brasil tem bons argumentos e razões técnicas nas discussões comerciais. Temos que seguir fazendo um bom debate, mostrando que isso é prejudicial para o Brasil e para os Estados Unidos", afirmou. Como evidência do apoio a essa posição, Durigan mencionou que nas audiências públicas mais recentes no escritório de comércio dos EUA, das mais de 70 participações, 63 foram contrárias às tarifas.
Durigan também destacou a preocupação do governo com a trajetória fiscal do país. Ele afirmou que o governo irá avaliar a situação dos setores específicos antes de adotar medidas, garantindo que tudo será feito com cautela para não prejudicar a trajetória fiscal. "A gente vai garantir o cumprimento das metas e um bom resultado macroeconômico no país como um todo, em que pese a gente sabe que alguns setores específicos precisam de atenção", completou.
As tarifas dos EUA foram anunciadas na noite de quarta-feira, incidindo sobre muitas importações do Brasil, acompanhadas de uma lista de exceções mais ampla do que o esperado. Em entrevista na tarde de quinta-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo brasileiro saberá como implementar a Lei de Reciprocidade no momento adequado, além de contar com um programa de apoio aos setores afetados do país.
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