Dólar opera estável à espera do discurso de Warsh em Jackson Hole
O dólar à vista opera próximo da estabilidade nesta sexta-feira, 28, em relação ao real, enquanto investidores direcionam sua atenção para o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole. O principal foco de atenção dos mercados repousa na expectativa de que Warsh ofereça sinais sobre os possíveis próximos passos da política de juros nos Estados Unidos e em quais condições a autoridade monetária poderia voltar a elevar as taxas ou mantê-las.
Às 9h10, o dólar à vista operava com alta de 0,04%, aos R$ 5,164 na venda. O dólar futuro para setembro, atualmente o contrato mais negociado no mercado brasileiro, subia 0,01% na B3, aos R$ 5,166. No mercado à vista, a cotação para compra estava em R$ 5,163 e para venda em R$ 5,164.
O cenário que motiva o aguardo pela fala de Warsh é particularmente delicado. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de longo prazo dispararam recentemente, parcialmente alimentados por dúvidas sobre o compromisso do presidente do Fed em conter a inflação. A situação foi suficientemente preocupante para que o Tesouro intervisse no mercado de títulos. Os contratos futuros de Fed Funds precificam uma probabilidade de aproximadamente 64% de que o banco central mantenha as taxas inalteradas em sua reunião de setembro, segundo a ferramenta FedWatch da CME.
No cenário global mais amplo, o aumento do endividamento público vem alimentando debates sobre onde deve ser traçada a fronteira entre as políticas fiscal e monetária. A chamada dominância fiscal será outra questão central que Warsh deverá enfrentar em seu discurso. Investidores podem se decepcionar, contudo, caso estejam esperando respostas mais concretas sobre este tema.
No fronte doméstico, o governo confirmou a prorrogação do imposto sobre exportação do petróleo, cuja alíquota é de 12%, por 60 dias. A medida ocorre em meio à recuperação dos preços da commodity, porém pode enfrentar novos questionamentos judiciais. Nesta quinta-feira, 27, a Justiça do Distrito Federal suspendeu a cobrança do imposto, com vigência prevista até 9 de setembro, em ação movida pela Associação Brasileira de Empresas de Exploração e Produção de Petróleo e Gás. O juiz considerou vedada a reedição da Medida Provisória, afirmando que a medida foi "tacitamente rejeitada pelo Congresso".
O Ibovespa futuro opera próximo da estabilidade, com leve alta de 0,01%, aos 17.680 pontos, mantendo o foco concentrado nos desenvolvimentos externos. Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, avalia que "o mercado continua atento à combinação entre eleições, trajetória fiscal e possíveis mudanças na política econômica".
Em dados divulgados nesta sexta-feira, o Índice Geral de Preços-Mercado caiu 0,22% em agosto, depois de registrar queda de 1,16% no mês anterior, com alta nos produtos agropecuários e nos custos da construção, segundo a Fundação Getulio Vargas. A expectativa em pesquisa da Reuters era de recuo de 0,25%. Com o resultado do mês, o índice passou a acumular em 12 meses alta de 2,16%.
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