DIs fecham estáveis entre pressões geopolíticas e dados econômicos fracos
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam a terça-feira (18) próximas da estabilidade, refletindo o equilíbrio entre forças opostas que atuaram sobre o mercado de renda fixa. A taxa do DI para janeiro de 2028 encerrou em 13,965%, ante o ajuste de 14,003% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 ficou em 14,78%, comparado aos 14,74% do ajuste anterior.
Segundo Luciano Rostagno, estrategista-chefe e sócio da EPS Investimentos, o mercado de renda fixa se equilibrou entre duas forças ao longo da sessão. De um lado, os dados recentes do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostraram atividade econômica mais fraca, exercendo pressão baixista nas taxas curtas. Do outro lado, o cenário geopolítico externo e o quadro fiscal doméstico pressionam as taxas para cima, principalmente na ponta longa. "Tem todos esses vetores operando nos DIs, por isso a curva acabou ficando um pouco de lado", comentou Rostagno.
No cenário internacional, o Irã afirmou que adotará uma postura militar "totalmente ofensiva", uma vez que os esforços para negociar um fim definitivo à guerra com os Estados Unidos estagnaram, conforme declaração de uma autoridade iraniana de alto escalão à Reuters. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na terça-feira que não há conversas em andamento com o Irã, nem nenhuma agendada. Já o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os EUA cumpram as condições de um acordo provisório assinado com o Irã em junho.
O afastamento das chances de acordo de paz no Oriente Médio pressionou os preços do petróleo Brent, que fecharam acima de US$ 91 o barril, com o contrato para outubro fechando com alta de 0,17%, a US$ 91,02 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE) de Londres. As preocupações sobre inflação aumentaram globalmente com esses movimentos, fazendo os rendimentos dos títulos de 30 anos nos Estados Unidos atingirem seu nível mais alto desde meados de 2002.
A tendência altista para a renda fixa também foi observada internacionalmente. No Japão, as taxas de 10 anos operaram em patamar próximo a 3%, o maior em três décadas. Na Europa, o rendimento dos títulos alemães de 10 anos atingiu o nível mais alto desde 2011, enquanto os rendimentos dos papéis franceses estavam no nível mais alto desde 2009. As taxas dos títulos britânicos de 30 anos se aproximaram dos picos atingidos em maio, que marcaram os níveis mais altos desde 1998.
No mercado de câmbio, o dólar à vista registrou alta de 0,40%, fechando a terça-feira a R$ 5,2216. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais como euro e libra, operava em leve alta de 0,09%, aos 99.660 pontos. Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a saída constante de capital estrangeiro da bolsa brasileira soma-se à disputa eleitoral como fator que segue pressionando o real.
Na quarta-feira (19), os agentes do mercado acompanharão a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), às 15h (horário de Brasília). A ata deverá trazer maior detalhamento sobre a última decisão de juros dos EUA, que manteve os Fed Funds no intervalo entre 3,50% e 3,75%.
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