Campanha de Lula reduz vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno
A disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chega ao segundo turno com uma margem reduzida e cenário volátil. Segundo dados da consultoria Eurasia Group, a vantagem média de Flávio caiu para 1,9 ponto percentual, ante 2,6 pontos registrados em 21 de outubro. A redução reflete a melhora recente do desempenho de Lula na reta final da campanha. Em termos de probabilidade de vitória, a Eurasia reduziu de 70% para 60% as chances de vitória do senador Bolsonaro, evidenciando o estreitamento da disputa observado nas pesquisas divulgadas ao longo da semana.
De acordo com a análise da Eurasia, as pesquisas tendem a superestimar Lula em cerca de um ponto percentual quando se considera apenas o universo de eleitores mais propensos a comparecer às urnas. "As pesquisas provavelmente superestimam Lula em 1 ponto, o que coloca a vantagem de Flávio em 2 pontos", afirma a consultoria. Essa avaliação coloca o cenário ainda mais próximo do que indicam os levantamentos brutos.
Para Yuri Sanches, analista da AtlasIntel, o grande desafio para Lula está na conquista de votos dos eleitores da terceira via. Lula precisaria conquistar ao menos 60% dos votos dos quase 9 milhões de eleitores que escolheram candidatos da terceira via no primeiro turno, mas atualmente reúne cerca de 44% desse grupo. A recuperação desse eleitorado é crucial para a trajetória do presidente no segundo turno. Além disso, a decisão dos indecisos e a participação de quem se absteve no primeiro turno também podem influenciar significativamente o resultado final.
O principal desafio para Flávio Bolsonaro não está apenas na margem de vantagem, mas na direção que a disputa tomou. A Eurasia observa que "o problema de Bolsonaro é a tendência. Sua vantagem média diminuiu cerca de meio ponto desde o meio da semana, com outros institutos de pesquisa indicando uma redução de 1 a 2 pontos. Isso sugere um forte efeito da campanha". A consultoria atribui parte desse movimento aos ataques promovidos pelo PT contra o candidato, além das propostas voltadas para eleitores de renda mais baixa e para o público jovem.
As estratégias de campanha do PT têm se concentrado em promessas de políticas sociais. Segundo a Eurasia, propostas como passe livre no transporte público, criação do Pé-de-Meia universitário e a aprovação da redução da jornada de trabalho ajudaram a elevar a aprovação de Lula nos últimos dias. Outro fator apontado pela consultoria é a dissipação dos escândalos políticos que dominaram o noticiário antes do primeiro turno. "As vantagens do incumbente estão retornando conforme o escândalo do Supremo se dissipa", afirma a Eurasia.
Apesar da recuperação de Lula nas pesquisas, Flávio Bolsonaro segue como favorito para vencer a disputa, segundo avaliação da Eurasia Group. A consultoria aponta como motivos a vantagem ainda existente nas intenções de voto e a dificuldade histórica de reverter uma diferença de dois pontos em tão pouco tempo.
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