BTG retoma cobertura de Copasa e projeta valorização de 44% pós-privatização
O BTG Pactual retomou a cobertura de Copasa (CSMG3) levando em conta sua nova condição de empresa privada sob gestão da Equatorial, companhia com histórico consolidado de recuperação operacional. A retomada da cobertura marca uma avaliação da instituição sobre o primeiro período completo da empresa como privada.
Os analistas Antonio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Schutz elevaram o preço-alvo da Copasa para R$ 81 por ação e mantiveram recomendação de compra. Considerando o preço anterior de fechamento de R$ 56,90, o movimento implica potencial de valorização de 44,3%. Com base em preço de R$ 56,15 utilizado no relatório, o retorno total projetado chega a 51,1%, sendo 44,3% de valorização mais 6,8% de dividend yield.
No pregão desta quinta-feira (18), a ação apareceu como a terceira maior alta do Ibovespa, com avanço de 3,12%, cotada a R$ 57,90 por volta das 13h30 (horário de Brasília). No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,16%, aos 168.182,02 pontos, com ações ligadas ao petróleo pesando no índice.
Para o BTG, a privatização da Copasa abre espaço para que a Equatorial capture ganhos de eficiência operacional, reduza custos e gerencie melhor os riscos regulatórios. Um dos principais pilares dessa tese está nos contratos renovados com os municípios onde a Copasa atua. Atualmente, aproximadamente 30% das receitas da empresa já estão cobertas por contratos atualizados com os municípios. Os 70% restantes devem indicar, até setembro, se aderem a termos semelhantes aos firmados com Belo Horizonte.
Os novos contratos com as prefeituras podem adicionar valor em três frentes distintas: compartilhamento de ganhos de eficiência operacional, inclusão de serviços de esgoto em municípios onde a Copasa ainda opera apenas com água, e prazos mais longos de concessão, que poderiam se estender até 2073.
O potencial de distribuição de lucros aos acionistas é outro destaque do relatório. Com alavancagem estimada em aproximadamente 2,2 vezes a dívida líquida sobre Ebitda para 2026, o BTG avalia que a Copasa teria capacidade de distribuir a totalidade de seus lucros. Nesse cenário, a companhia poderia entregar dividend yield médio de 7,6% entre 2026 e 2028, com potencial para alcançar percentuais de dois dígitos nos anos seguintes. Na avaliação dos analistas, a Copasa pode se tornar uma história atrativa de geração de dividendos em horizonte relativamente próximo.
Porém, existem riscos associados a essa tese. O principal deles está na adesão dos municípios aos novos contratos. O cenário-base do BTG considera 100% de aceitação, mas a Copasa ainda está em 30%. O resultado desse processo deve ficar mais claro até o fim de setembro. Outro ponto de atenção é o risco tarifário. O relatório cita que os anos de 2028 e 2029 devem concentrar aumentos tarifários mais fortes, o que pode gerar ruído político e regulatório, especialmente em ano eleitoral em Minas Gerais.
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