Brasil não abre mão da Lei de Reciprocidade, mas prioridade é negociar, diz ministro
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, declarou nesta quinta-feira, 23, que o governo brasileiro mantém duas frentes de ação diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos: continuar negociando para afastar a alíquota de 25% aplicada a produtos brasileiros e ampliar a lista de isenções à tarifa de 12,5%, que incide sobre o Brasil e outros países sob alegação de falha no combate à importação de bens produzidos por trabalho forçado.
Segundo o ministro, as orientações do presidente Lula são claras nesse sentido. "O presidente Lula orienta continuar negociando, negociando, negociando, para quê? Afastar a imposição dos 25% que já foram decididos naquela seção própria do Brasil, e para que a gente possa ter, nessa decisão de hoje, a ampliação da lista de exceções", afirmou Márcio Elias Rosa a jornalistas.
Os Estados Unidos anunciaram novas tarifas que atingem 86 países, incluindo o Brasil. Entre os principais produtos brasileiros que conquistaram exceções na lista de isenções estão a carne bovina e café. Conforme explicado pelo ministro, essa lista de exceção é válida para todos os países abrangidos pela medida e inclui produtos considerados "sensíveis" à inflação doméstica americana, como alimentos presentes na cesta básica local.
Questionado sobre pressões do empresariado brasileiro para que o governo não adote a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos, o ministro foi enfático: "O governo brasileiro não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade, porque seria abrir mão de um direito que protege a economia brasileira, os interesses do Brasil". Ele reafirmou que o governo não abrirá mão dessa ferramenta de defesa dos setores produtivos.
Márcio Elias Rosa destacou que determinados setores estão "muito sacrificados" pelas tarifas americanas, citando especialmente a indústria de madeira. Diante disso, assegurou: "Se for necessário lançar a mão no instrumento da reciprocidade, o Brasil não hesitará". Porém, o ministro ressalvou que o timing e a forma de aplicação desse instrumento serão determinados conforme a evolução das negociações.
O governo mantém como objetivo primário evitar e afastar as tarifações americanas, consideradas pelo ministro como "extremamente injustas e muito danosas". "O momento e a forma de fazê-lo é que o tempo vai determinar. É óbvio que o interesse primário é negociar", concluiu Márcio Elias Rosa.
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