Bolsas europeias fecham majoritariamente em alta à espera de decisão do Fed
As bolsas europeias encerraram a sessão desta quarta-feira, 17, majoritariamente em alta, em um dia marcado pela cautela dos investidores enquanto aguardam a decisão de política monetária do Federal Reserve e acompanham os detalhes do acordo provisório entre Estados Unidos e Irã. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou com ganho de 0,52%, aos 639,31 pontos, refletindo o tom positivo predominante no continente.
Entre os principais índices, o desempenho foi variado. O FTSE 100 de Londres avançou 0,14%, fechando aos 10.508,61 pontos, enquanto o DAX de Frankfurt subiu 0,08% a 0,10%, dependendo da fonte, encerrando aos 24.931,55 ou 24.934,67 pontos. O FTSE MIB de Milão registrou ganho de 0,31%, aos 52.595,23 pontos, e o Ibex 35 de Madri apresentou a maior alta do dia, com avanço de 1,20%, alcançando 19.392,90 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 0,76%, aos 9.090,72 pontos. O CAC 40 de Paris foi a exceção negativa, recuando 0,20% para 8.430,79 pontos.
Os mercados reagiram a novos dados macroeconômicos da zona do euro que evidenciam persistência das pressões inflacionárias. A inflação ao consumidor da zona do euro acelerou para 3,2% em maio, confirmando a leitura preliminar da Eurostat e mantendo-se acima da meta de 2% estabelecida pelo Banco Central Europeu. Em resposta a esses números, Gediminas Simkus, dirigente do BCE, afirmou que ao menos mais uma alta de juros é mais provável do que a manutenção das taxas atuais, considerando a persistência das pressões inflacionárias.
No Reino Unido, o cenário inflacionário apresentou sinais mais moderados. O índice de preços ao consumidor ficou estável em 2,8% em maio, abaixo da expectativa do mercado. Segundo análise da Capital Economics, a inflação britânica ainda pode se aproximar de 4% nos próximos meses, embora a recente queda do petróleo reduza a necessidade de aperto monetário adicional pelo Banco da Inglaterra. O ING apresenta cenário ligeiramente diferente, prevendo um pico próximo de 3,5% em setembro, sem que isso justifique novas elevações de juros.
No cenário de ações, a BMW registrou queda significativa de 8,69% após cortar sua projeção anual de lucro, citando a deterioração do mercado chinês e os efeitos indiretos da guerra no Oriente Médio. O movimento pressionou todo o setor automotivo europeu, que cedeu 3,4%. Em sentido oposto, a suíça Straumann subiu 10,2% após elevar sua perspectiva de rentabilidade para o ano, beneficiada por tarifas menores do que o esperado e medidas de redução de custos. O setor de energia recuou 0,1%, apesar da alta do petróleo, enquanto investidores repercutiam os termos vazados do memorando entre Washington e Teerã.
No cenário geopolítico, os mercados continuaram a monitorar desenvolvimentos sobre o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, anunciado no último domingo, 14. Segundo o Axios, os dois países estavam discutindo a possibilidade de realizar a assinatura do memorando de entendimento já nesta quarta-feira, 17, de forma remota. A assinatura eletrônica permitiria a reabertura imediata do Estreito de Ormuz e estabeleceria um prazo de 60 dias para negociações sobre armas nucleares.
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