BCE eleva juros pela primeira vez em quase 3 anos para conter inflação da guerra
O Banco Central Europeu elevou as taxas de juros pela primeira vez em quase três anos nesta quinta-feira, em movimento amplamente esperado que busca conter a inflação antes que o aumento nos custos de energia, provocado pela guerra no Oriente Médio, se propague mais amplamente pela economia da zona do euro.
A decisão elevou a taxa de depósito de referência do BCE de 2,0% para 2,25%. Este é o primeiro aumento desde setembro de 2023 e ocorre em um contexto de inflação no bloco monetário de 21 países já acima de 3%, bem acima da meta de 2% estabelecida pela instituição.
O ambiente econômico que levou à decisão é caracterizado por fraco crescimento econômico na zona do euro, um cenário que tem dividido economistas quanto à necessidade de uma política monetária mais restritiva. Autoridades do BCE, algumas das quais já haviam pressionado por um aumento em abril, decidiram prosseguir com o movimento, que veio acompanhado por projeções mais altas para a inflação neste ano e no próximo.
Em comunicado à imprensa, o BCE afirmou que a guerra no Oriente Médio está gerando pressões inflacionárias, e que a decisão de elevar os juros é sólida em uma série de cenários que mapeiam como o choque pode evoluir e afetar as perspectivas de médio prazo para a zona do euro.
Economistas esperavam amplamente esta medida, caracterizando-a como um aumento preventivo — uma medida de precaução que pode ser revertida caso as pressões sobre os preços diminuam. A elevação também foi vista como importante para conter as expectativas de inflação e salvaguardar a credibilidade do BCE, após sua lentidão em reagir ao pico de inflação pós-pandemia em 2022.
Conforme sua prática, o BCE não se comprometeu com nenhum movimento futuro, mantendo sua linha de que as decisões serão tomadas a cada reunião, dependendo dos dados recebidos. Os mercados financeiros esperam mais dois aumentos ao longo do próximo ano, com o próximo previsto para setembro.
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