Azzas perde quase R$ 10 bi em valor de mercado desde fusão entre Arezzo e Soma
Em pouco mais de dois anos, a Azzas 2154 passou de uma das maiores apostas do varejo brasileiro para uma companhia em processo de separação. Criada a partir da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, a empresa chegou ao mercado com a promessa de combinar dezenas de marcas e ganhar escala. Contudo, após meses de negociações entre os controladores Alexandre Birman e Roberto Jatahy, foi anunciado um acordo para dividir a empresa em duas companhias independentes e listadas no Novo Mercado da B3, marcando na prática o retorno das estruturas originais pouco mais de dois anos após a criação da Azzas 2154.
A decisão de desfazer a fusão foi recebida de forma positiva pelo JP Morgan. Em relatório divulgado nesta terça-feira, o banco afirma que a reorganização elimina um dos principais obstáculos para a companhia: os problemas de governança que vinham afetando a operação e o planejamento de longo prazo das marcas. Na avaliação dos analistas, a separação permitirá que cada grupo opere com gestão própria e foco total em seus respectivos negócios.
Além da divisão dos negócios principais, a reorganização cria uma terceira sociedade para concentrar a Farm e suas extensões, incluindo Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula. A nova estrutura terá participação de 57,4% da futura Arezzo&Co e de 42,6% da Soma. Segundo o JP Morgan, esse desenho também prepara o terreno para uma eventual venda ou IPO da Farm Rio no futuro, definindo com clareza quanto caberá a cada bloco controlador em uma eventual monetização do ativo.
A Arezzo&Co ficará com a plataforma de calçados e acessórios, reunindo marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman e Carol Bassi. A companhia também passará a controlar a Hering, que atualmente integra o portfólio da Azzas. Já a Soma concentrará as marcas Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Foxton, Oficina e Reserva, esta última atualmente vinculada à estrutura da Arezzo.
Depois da reorganização, o bloco Birman terá 32,13% da Arezzo&Co e manterá uma fatia de 6,18% da Soma. O bloco Jatahy ficará com 25,95% da Soma. A Farm permanecerá em uma companhia separada, compartilhada entre os dois grupos.
Apesar da avaliação positiva para a tese de investimento, o JP Morgan destaca que ainda existem poucos detalhes sobre a execução da cisão. Entre os pontos que permanecem em aberto estão a distribuição de dívida e caixa, além da alocação de ativos.
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