Zema critica dependência chinesa e aponta Itamaraty como responsável
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema, do partido Novo, criticou nesta terça-feira, 9, a condução da política externa brasileira. Durante participação no seminário "A Nova Geoeconomia Mundial", organizado pelo Instituto Diálogos e realizado no Teatro do Shopping Iguatemi em São Paulo, Zema associou o avanço das tarifas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump ao distanciamento do Brasil em relação ao Ocidente e à aproximação progressiva com a China.
Segundo o presidenciável, a relação comercial com a China é importante, mas a concentração das exportações brasileiras naquele mercado criou uma vulnerabilidade significativa para o País. "A questão do Brasil é bem mais complexa. Nós estamos vendo, já há muito tempo, um Brasil cada vez mais próximo da China e distante do Ocidente. E vejo que o tarifaço está dentro desse contexto", afirmou Zema a jornalistas.
Zema atribuiu grande parte dessa orientação ao Itamaraty. "Isso não nasceu hoje, isso nasceu há muito tempo e atribuo muito disso ao Itamaraty, que tem atuado, principalmente desde que o PT assumiu o País há 22 anos, nessa direção de questionar Estados Unidos e de se distanciar de países do Ocidente numa clara aproximação à China", declarou o ex-governador.
Embora tenha reconhecido a relevância comercial de Pequim, Zema expressou preocupação com o nível de dependência brasileira. "A China é importantíssima, todo parceiro comercial precisa ser muito bem tratado, mas o Brasil está criando uma dependência perigosa com a China. Se amanhã a China começar a reduzir a importação de alguns produtos brasileiros, nós vamos enfrentar dificuldades muito grandes", alertou.
Zema usou sua experiência no varejo para fundamentar a crítica. "A minha estratégia no varejo sempre foi não concentração em nenhum cliente, porque a partir do momento em que você depende de um cliente, você fica vulnerável, e me parece que o PT escolheu essa opção", comparou o presidenciável.
Quando questionado sobre possível influência dos irmãos Bolsonaro nas tarifas de Trump, Zema atribuiu maior peso à condução do governo brasileiro na geração do problema.
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