Trump aprova acordo nuclear com Arábia Saudita e abre caminho para enriquecimento de urânio
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita fecharam um acordo de compartilhamento de tecnologia nuclear que abre caminho para que empresas americanas construam reatores no país árabe. O entendimento, assinado nesta quarta-feira, também permite que o reino enriqueça seu próprio combustível nuclear, representando uma mudança significativa na política de não proliferação dos EUA.
O acordo foi oficializado pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e pelo ministro da Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, conforme informou o Departamento de Energia americano. Os documentos assinados incluem um "acordo de cooperação nuclear pacífica" e um "acordo bilateral de salvaguardas".
A parceria, avaliada em dezenas de bilhões de dólares, beneficia diretamente a Westinghouse Electric e outras companhias americanas do setor. Uma parte central do acordo prevê que empresas americanas poderão construir uma instalação de enriquecimento de urânio na Arábia Saudita, caso um estudo conjunto dos dois países conclua que isso é necessário, segundo o Wall Street Journal.
Em comunicado, Chris Wright afirmou que os acordos "refletem o compromisso comum de nossos dois países com o fortalecimento das relações comerciais entre EUA e Arábia Saudita, promovendo prosperidade dentro de casa e segurança para nossos aliados no exterior". O secretário também destacou que os entendimentos "seguem os mais altos padrões de segurança nuclear e de não proliferação, com apoio da melhor tecnologia nuclear e dos melhores cientistas do mundo, desenvolvidos aqui mesmo nos Estados Unidos".
No entanto, o acordo representa uma ruptura em relação a tratados anteriores de cooperação nuclear, que proibiam de forma explícita o enriquecimento de urânio. A mudança gerou preocupação entre especialistas em não proliferação nuclear e alguns integrantes do Congresso dos EUA, que veem risco de a Arábia Saudita usar esse processo para obter material com potencial uso militar. A parceria também enfrenta oposição no Congresso americano por temores de proliferação atômica na região. Dina Esfandiary, analista, afirmou que "se os detalhes divulgados estiverem corretos, isso sinaliza uma mudança na política de não proliferação dos EUA e pode desencadear uma corrida nuclear no Oriente Médio".
A decisão também gerou críticas de Israel, outro aliado americano dos EUA no Oriente Médio.
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