Treasuries de 30 anos atingem máxima desde 2007 após Fed manter juros
O Federal Reserve decidiu manter a taxa de juros inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano nesta quarta-feira, mantendo sua política monetária estável pela quinta vez consecutiva. A decisão, já esperada pelo mercado, não foi unânime: três dirigentes votaram a favor de um aumento de 25 pontos-base. Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland; Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis; e Lorrie Logan, presidente do Fed de Dallas, dissentaram em favor de uma alta. Este foi o maior dissenso desde setembro de 2016, marcando uma crescente convicção entre alguns membros do comitê de que um aumento seria necessário para controlar a inflação ressurgente.
Os rendimentos dos Treasuries de 30 anos dispararam após a decisão, atingindo 5,244%, o maior nível desde julho de 2007. Os títulos de dois anos, que são mais sensíveis a mudanças na política do Fed, caíram seis pontos-base para 4,23%, enquanto os rendimentos de dez anos subiram cinco pontos-base para 4,66%. O dólar perdeu força após o anúncio.
No comunicado de política monetária, o segundo emitido sob a gestão do presidente do Fed Kevin Warsh, os diretores se abstiveram de oferecer orientações detalhadas sobre planos para futuras medidas, reiterando apenas o compromisso do banco central com a estabilidade de preços. O comunicado reconheceu que a atividade econômica segue sólida, a inflação permanece elevada, mas não forneceu forward guidance sobre possíveis movimentos em setembro. Warsh, durante a coletiva de imprensa, ressaltou que o comitê optou pela estabilidade por uma ampla maioria e afirmou que o Fed não hesitará em agir caso a inflação não desacelere.
Warsh destacou ainda os níveis mais elevados dos juros nominais e reais dos títulos públicos, sugerindo que parte do aperto das condições financeiras já foi promovida pelo próprio mercado. O presidente do Fed também comentou sobre uma boa discussão familiar durante a reunião, apesar das dissidências.
Os operadores do mercado reagiram à decisão reduzindo suas expectativas de que o Federal Reserve elevará os juros em setembro. Os swaps de taxas de juros refletiam uma probabilidade de aproximadamente 60% de que os diretores aumentem os custos dos empréstimos em setembro após a decisão, enquanto um aumento está totalmente precificado para dezembro. Jack McIntyre, gerente de portfólio da Brandywine Global Investment Management, avaliou que o movimento inicial refletiu alívio de que o Fed não agiu nesta reunião, mas que as dissidências mostram a inclinação do comitê: a menos que os dados de inflação e emprego se suavizem significativamente entre agora e setembro, essa reunião está em jogo para um aumento.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities, destacou que a comunicação foi muito simples e enxuta, sem fornecer um forward guidance claro sobre possíveis movimentos futuros. O contexto para um aumento era claro, conforme avaliação do ING: o Fed não atinge sua meta de inflação há cinco anos e, embora tenha havido progresso, os preços do petróleo continuam elevados em um mercado de trabalho ainda apertado, o que pode manter a inflação acima da meta por mais tempo.
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