Taxas dos DIs caem com trégua nos ataques entre EUA e Irã
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam a segunda-feira em queda, refletindo um ambiente de maior alívio e apetite ao risco nos mercados globais após a pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã. O movimento também impactou os preços do petróleo e os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, que recuaram significativamente.
No fechamento da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,03%, ante o ajuste de 14,167% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,675%, reduzido de 14,703% no dia anterior. O movimento refletiu-se também nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em dez anos, que caminharam para a maior queda em um único dia em um mês, recuando 4 pontos-base para 4,639% às 16h49.
Os sinais de trégua começaram no fim de semana, quando o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, afirmou ao programa Fox News Sunday e a outros veículos de comunicação norte-americanos que o presidente Donald Trump havia decidido suspender os ataques para dar mais tempo à diplomacia. Nesta segunda-feira, Trump reforçou a mensagem ao declarar que os EUA estão mantendo "boas negociações" com o Irã e que "há uma boa chance de que algo possa acontecer" em relação a um possível acordo, embora tenha ameaçado com uma "forte ação militar" caso a diplomacia fracasse.
O otimismo com relação a uma possível resolução do conflito foi bem recebido pelos mercados. Os contratos futuros do petróleo Brent para outubro caíram mais de 6%, fechando a US$ 85,87 o barril, menor valor desde 17 de julho. Esta queda significativa reflete a redução das preocupações sobre possíveis interrupções no fornecimento de energia global decorrentes dos conflitos.
Gabriel Felix, especialista de alocação da Blue3 Investimentos, explicou o movimento das curvas de juros futuros: "Quando há uma tendência de que o conflito seja resolvido é natural que as curvas de juros futuros deem uma corrigida". O raciocínio segue a lógica de que conflitos geopolíticos que pressionam preços de commodities e geram incerteza tendem a elevar prêmios de risco nos ativos, o que se reverte quando há sinalizações de resolução.
No âmbito doméstico, o destaque foi o Relatório Focus do Banco Central, que apontou redução nas expectativas inflacionárias para 2026. A expectativa para a alta do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) em 2026 caiu a 5,12%, comparado a 5,15% na semana anterior. Contudo, as projeções para a inflação no próximo ano e em 2028 subiram 0,02 ponto percentual, chegando respectivamente a 4,22% e 3,80%.
A pesquisa semanal do Banco Central com uma centena de economistas mostrou ainda que segue a expectativa de que o Comitê de Política Monetária do BC reduza a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na reunião da próxima semana, chegando a 14,00%, nível em que deverá encerrar o ano. Para 2027, foi mantida a projeção de que a Selic ficará em 12,0%.
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