Ri Happy protocoliza recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões
O Grupo Ri Happy, uma das maiores redes varejistas de brinquedos e produtos infantis do País, protocolou no domingo um pedido de recuperação extrajudicial junto à Justiça de São Paulo. A ação envolve também outras cinco empresas do grupo e tem como objetivo renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas.
Segundo o pedido apresentado ao tribunal, uma parcela expressiva dos credores já manifestou concordância em discutir novos termos. Os credores que aceitaram participar das negociações representam R$ 308,8 milhões, correspondente a 42,38% do valor total previsto no plano de recuperação.
A recuperação extrajudicial funciona como uma alternativa à via judicial tradicional. Nela, a empresa negocia diretamente com seus credores, discutindo novas condições de pagamento, como prazos estendidos, fora do âmbito dos tribunais. Ainda assim, o plano final resultante das negociações deve ser posteriormente submetido à Justiça para validação e homologação.
Em nota divulgada após o protocolo do pedido, a Ri Happy informou que a medida integra um processo mais amplo de reorganização financeira e operacional, iniciado desde a mudança na liderança da empresa. A companhia garantiu que suas unidades físicas e canais de vendas online continuam funcionando normalmente, com os times preparados para as vendas de fim de ano, incluindo a Black Friday. O grupo possui atualmente mais de 2.600 colaboradores distribuídos em aproximadamente 292 pontos de venda no País, entre lojas próprias e franqueadas das marcas Ri Happy e PBKids.
O documento de recuperação lista diversos fatores que contribuíram para o cenário de dificuldades da varejista. Entre eles estão os impactos deixados pela pandemia, a alta dos juros, a retração nas vendas do setor e a competição com plataformas de compras internacionais. Durante a pandemia, o fechamento temporário de lojas e a redução do movimento dos shoppings afetaram diretamente a receita. Paralelamente, o patamar elevado da taxa de juros encareceu os compromissos financeiros assumidos com instituições bancárias, ao mesmo tempo em que o poder de compra das famílias diminuía.
A Ri Happy já havia tentado equacionar suas finanças em 2023, quando renegociou cerca de R$ 292 milhões em dívidas junto a instituições bancárias. Apesar dessa ação, a situação financeira do grupo se deteriorou, levando ao pedido atual de recuperação extrajudicial.
Essas mudanças no rumo da empresa ocorrem após o grupo ter sido adquirido em agosto deste ano pela BluSun Capital Partners, uma sociedade anônima de capital fechado. A aquisição trouxe consigo uma nova liderança: Héctor Nuñez reassumiu o cargo de diretor-presidente da Ri Happy, marcando seu retorno ao comando da companhia. Nuñez já havia liderado a Ri Happy entre 2012 e 2020 e possui mais de 25 anos de experiência no setor varejista e em grandes organizações, tendo sido CEO do Walmart Brasil e ocupado posições de liderança na The Coca-Cola Company. Até abril deste ano, Nuñez esteve à frente da presidência da Novonor, antiga holding do grupo Odebrecht, cargo que assumiu em março de 2022 após integrar seu conselho de administração em 2021.
Além de Nuñez, a nova equipe executiva inclui Carlos Fernandes como diretor operacional, Diego Motta como diretor financeiro, Sandra Haddad como diretora comercial, Alexandra Carrão como diretora de Gente e Gestão, e Robledo Castro como diretor de Tecnologia e Informação. A companhia também realizou ajustes nas estruturas corporativas e alterou sua sede, mudanças que fazem parte do processo de transformação operacional e financeira.
Segundo a Ri Happy, essas mudanças visam reequilibrar a estrutura de capital, otimizar a eficiência operacional, aprimorar a excelência no atendimento às crianças e famílias brasileiras e garantir a sustentabilidade do negócio no longo prazo.
O movimento de ajuste vem após uma iniciativa que não obteve sucesso. Em meados de junho, o grupo inaugurou no Shopping Morumbi, em São Paulo, um novo formato de loja sob a bandeira Divertudo, que misturava a venda de brinquedos com entretenimento e experiência. A unidade, porém, não teve bom desempenho.
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