Polícia de SP indicia dois representantes do Goldman Sachs no caso Oncoclínicas
A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois representantes do Goldman Sachs em investigação relacionada à Oncoclínicas (ONCO3), empresa que é alvo de cobranças de acionistas minoritários pela realização de oferta pública de ações. O despacho da autoridade policial foi visto nesta segunda-feira pela Reuters.
Segundo a acusação policial, os dois representantes do banco de investimentos teriam tido "participação consciente" em um expediente destinado a induzir a Oncoclínicas, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a B3 e o mercado a erro, "conferindo aparência de legitimidade à falsa reconstrução da estrutura societária da companhia". Eles foram indiciados pelos artigos do Código Penal que tratam de estelionato e fraude.
O inquérito, aberto em 2025 em São Paulo, aponta que "a versão apresentada somente surgiu quando a reorganização societária poderia desencadear a obrigação de realização da OPA, revelando-se incompatível com as informações anteriormente prestadas pelo próprio Goldman Sachs ao mercado", conforme consta do documento do indiciamento.
A investigação argumenta que as informações foram utilizadas para "convencer a Oncoclínicas, a CVM, a B3 e os acionistas de que a oferta pública não era devida", impedindo sua realização e permitindo a manutenção de participação superior ao limite estatutário sem o correspondente desembolso financeiro. O resultado alegado é o prejuízo aos acionistas minoritários da companhia.
Representantes do Goldman Sachs e da Oncoclínicas não puderam comentar o assunto de imediato. A Latache, maior acionista da Oncoclínicas, também não se manifestou sobre o caso.
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