Petrobras supera lucro esperado, mas ações caem 1,8% por fatores macroeconômicos
A Petrobras (PETR4) surpreendeu positivamente com seus resultados do segundo trimestre, mas as ações da estatal recuaram 1,8% na sexta-feira (7), fechando a R$ 41,36. A queda ocorreu apesar do desempenho operacional robusto divulgado na quinta-feira (6), após o fechamento do mercado.
O lucro líquido da companhia atingiu R$ 52,4 bilhões no período, representando alta de 96,8% na comparação anual frente aos R$ 26,7 bilhões obtidos no segundo trimestre de 2025, e avanço de 61% em relação ao primeiro trimestre de 2026. Desconsiderando efeitos extraordinários, o lucro líquido recorrente alcançou R$ 55,8 bilhões. O resultado superou o consenso de mercado, que projetava R$ 50,8 bilhões, e também as estimativas da Bloomberg, que apontavam cerca de R$ 45 bilhões.
O Ebitda ajustado também impressionou, totalizando R$ 93,84 bilhões entre abril e junho, com avanço de 79,6% na comparação anual e acima da projeção de R$ 92,6 bilhões do consenso. Excluindo efeitos extraordinários, o indicador alcançou R$ 100,6 bilhões. A receita de vendas chegou a R$ 169,5 bilhões, crescimento de 42,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e praticamente em linha com a estimativa de R$ 169,6 bilhões. O fluxo de caixa operacional atingiu R$ 61,8 bilhões, com alta anual de 46%, enquanto o fluxo de caixa livre somou R$ 38,6 bilhões no trimestre. A companhia anunciou ainda R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio.
A queda das ações reflete fatores macroeconômicos externos, segundo Marcelo Bassani, economista e sócio da Boa Brasil Capital. De acordo com Bassani, a redução do fluxo de investidores estrangeiros na B3 como um todo guarda relação com os números do payroll que vieram muito abaixo do esperado. Quando o mercado observa esses dados, tende a diminuir a participação nos mercados emergentes, afetando diretamente papéis como os da Petrobras.
Parte do mercado apontou ainda que a virada das ações, que abriram em alta, coincidiu com declarações do diretor financeiro da estatal, Fernando Melgarejo, em entrevista à CNN Money. O executivo afirmou que dificilmente haverá pagamento de dividendos extraordinários, eliminando uma possível fonte de atração para investidores.
Segundo Bassani, a Petrobras segue bem posicionada para os próximos trimestres, embora o desempenho continue dependendo da trajetória do petróleo. A commodity já recuou em relação aos picos observados durante o conflito no Oriente Médio, mas permanece acima dos níveis registrados antes do conflito. Para o curto prazo, eventuais quedas no preço do barril não devem afetar imediatamente os resultados da estatal, já que o patamar atual da commodity ainda supera o observado no mesmo período do ano passado.
Bassani chama atenção para o ambiente de maior volatilidade esperado para o mercado brasileiro ao longo do segundo semestre, em razão do período eleitoral. O analista pondera, contudo, que os fundamentos das companhias tendem a prevalecer nas decisões de investimento, ressaltando que os papéis devem ser avaliados com base no trabalho e nos resultados das empresas.
No mercado internacional, as American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobras operavam em alta no pré-market de Nova York na sexta-feira (7). Os papéis atrelados às ações preferenciais (PBRa) subiam 1,52%, a US$ 16,73, e os vinculados às ordinárias (PBR) avançavam 0,76%, a US$ 18,66, refletindo uma recepção mais positiva dos resultados entre investidores internacionais.
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