Payroll frustra com 29 mil empregos; Fed enfrenta alívio na pressão por alta de juros
O mercado de trabalho americano decepcionou em setembro. Os Estados Unidos criaram apenas 29 mil empregos líquidos no mês, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (2) pelo Departamento do Trabalho americano. O resultado ficou significativamente abaixo de todas as estimativas consultadas pelo Projeções Broadcast, que variavam de 50 mil a 175 mil postos, com expectativa mediana de 85 mil novas vagas.
O payroll, indicador que mede a variação do número de empregos fora do setor agrícola nos EUA em saldo líquido (diferença entre postos criados e eliminados), trouxe também revisões negativas dos períodos anteriores. Agosto teve sua estimativa reduzida de 162 mil para 133 mil vagas, enquanto julho passou de uma criação de 21 mil postos para uma perda de 10 mil. No total, os dois meses tiveram 60 mil empregos a menos do que o informado anteriormente. O Departamento do Trabalho esclarece que essas atualizações incorporam novas informações recebidas e ajustes sazonais.
A taxa de desemprego subiu para 4,2%, acima da expectativa de 4,1%, segundo levantamento da Nomad. Apesar da elevação, o indicador mantém-se dentro da faixa de 4,1% a 4,3% observada desde março. Na remuneração, o salário médio por hora aumentou apenas 0,1% no mês e 3% em 12 meses, ambos abaixo das expectativas do mercado de 0,3% e 3,1%, respectivamente.
Por setores, saúde foi o destaque positivo ao acrescentar 17 mil vagas, seguido por construção com 11 mil e indústria com 9 mil postos. O setor financeiro registrou saldo negativo, eliminando 7 mil empregos.
Na avaliação de Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a combinação de contratações mais fracas e crescimento salarial menor tende a reduzir a pressão por novos aumentos de juros pelo Federal Reserve (Fed). Segundo Kayo, o resultado fraco somado às revisões negativas mostra um mercado de trabalho menos aquecido do que sugeriam os dados de agosto.
Contudo, o economista ressalva que o Fed enfrenta uma situação delicada. Embora o desemprego permaneça baixo e a pressão por alta de juros tenha diminuído, a inflação continua acima da meta de 2%, criando um cenário de tensão para o banco central americano após a recente elevação dos juros.
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