Patrimônio de deputados cresce exponencialmente em quatro anos antes de eleições 2026
Deputados federais que se candidatam nas eleições de 2026 declararam aumentos substanciais em seus patrimônios à Justiça Eleitoral, em comparação com as informações apresentadas há quatro anos. Os dados, disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revelam trajetórias patrimoniais que chamam atenção pela magnitude das variações.
Nikolas Ferreira (PL-MG) informou R$ 3,9 milhões em bens para as eleições de 2026, contra R$ 36,8 mil declarados em 2022. A diferença representa R$ 3,86 milhões, o que corresponde a um aumento de aproximadamente 105 vezes em termos nominais. O deputado é o mais votado do país desde 2022, quando recebeu 1,49 milhão de votos ao disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Em 2020, quando concorreu a vereador de Belo Horizonte pelo PRTB, ele não havia informado bens à Justiça Eleitoral.
A composição do patrimônio de Nikolas está concentrada principalmente em um imóvel avaliado em R$ 2,23 milhões, responsável por mais da metade do valor total. O bem foi adquirido por meio de financiamento e ainda possui saldo devedor de R$ 1,72 milhão. O restante do patrimônio é formado por aplicações financeiras: R$ 597,3 mil em fundos de renda fixa, R$ 355,9 mil em contas de investimentos, R$ 253,1 mil em outras aplicações de renda fixa, R$ 130 mil em títulos públicos, R$ 80 mil em fundos de ações, R$ 50 mil em participações societárias e R$ 45,9 mil em ações, além de outros investimentos e saldos bancários de menor valor. Em nota, o deputado afirmou que parte significativa do valor do imóvel precisa constar na declaração entregue à Justiça Eleitoral, embora grande parte ainda esteja financiada. Nikolas também informou que parte dos recursos acumulados nos últimos anos tem origem em atividades realizadas fora do mandato, como venda de cursos e livros e participação em palestras.
Otoni de Paula (PSD-RJ) apresentou evolução patrimonial ainda mais expressiva. O deputado federal informou R$ 5,48 milhões à Justiça Eleitoral para as eleições de 2026, comparado aos R$ 18,3 mil declarados em 2022. Em 2018, quando então filiado ao PSC, Otoni havia informado ao TSE não possuir bens a declarar. A diferença entre 2022 e agora representa um patrimônio quase 300 vezes maior. O principal bem declarado neste ano é um apartamento avaliado em R$ 4,44 milhões, responsável por mais de 80% do total. Otoni também registrou dois veículos, avaliados em R$ 415 mil e R$ 115 mil, além de R$ 508,6 mil classificados como outros bens e direitos e valores em conta corrente. Em 2022, quando concorreu à Câmara pelo MDB, suas declarações se limitavam a R$ 10 mil em quotas de capital social da Editora e Produtora Calvário e R$ 8.327,66 em conta no Banco do Brasil. Otoni foi eleito deputado federal em 2018, conquistou um segundo mandato em 2022 e agora tenta permanecer na Câmara pelo PSD do Rio de Janeiro.
As declarações de patrimônio são apresentadas pelos próprios candidatos como parte do processo de registro das candidaturas e ficam disponíveis para consulta pública no sistema do TSE.
Conteúdo reescrito pelo Pense Mercado com base nas fontes acima. Não constitui recomendação de investimento.