Oura vai à bolsa enquanto concorrentes disputam liderança no mercado de anéis inteligentes
A Oura apresentou oficialmente seu pedido de abertura de capital em 3 de setembro, marcando um momento significativo para a empresa finlandesa no mercado de anéis inteligentes. A decisão ocorre em um cenário de crescimento acelerado, com a receita da empresa quase dobrando para US$ 1,21 bilhão nos nove meses encerrados em 30 de junho. Nos últimos 12 meses, a Oura vendeu 3,6 milhões de anéis e acumula aproximadamente 5 milhões de membros pagos, consolidando sua posição de liderança até o momento.
O movimento em direção ao mercado público acompanha o lançamento recente do Oura Ring 5, descrito como o anel mais fino e leve da empresa até agora. No entanto, apesar da dominância histórica da Oura no segmento, rivais estão emergindo de múltiplas frentes para desafiar sua supremacia, cada uma com uma estratégia diferenciada.
A francesa Circular anunciou nesta semana que seu próximo anel permitirá aos usuários realizar pagamentos por toque, enquanto a chinesa RingConn lançou este ano um modelo com vibrações hápticas. A Ultrahuman, companhia indiana, por sua vez, divulgou nesta semana que captou US$ 70 milhões com apoio do braço de venture capital da Qualcomm, com objetivo de desenvolver um anel capaz de executar software diretamente no dispositivo e eventualmente alimentar tudo, desde interações com inteligência artificial até jogos.
A competição pela supremacia sobre a Oura não se limita mais apenas ao rastreamento avançado de saúde e sono. Trata-se agora de qual empresa conseguirá empacotar o máximo de recursos semelhantes aos de smartphones em uma banda de titânio de dois gramas, antes que alguém lance um anel que permita navegação contínua no TikTok, atendimento de chamadas ou declaração de impostos. Já é possível ver anéis inteligentes com telas, como o Pebble Halo, ainda que disponível apenas na Índia, assim como modelos que prometem touchpads, como o Dreame Ring.
A ironia reside no apelo inicial dos anéis inteligentes: tornarem a tecnologia e o rastreamento de saúde menos intrusivos do que dispositivos como smartwatches e smartphones, permitindo que o usuário se afaste da tela enquanto monitora sua saúde. Conforme a indústria evolui, porém, existe o risco de que se termine simplesmente escorregando mini-smartphones nos dedos.
A Ultrahuman apresentou este ano seu anel inteligente de terceira geração, o Ring Pro por US$ 479, que deveria começar a ser entregue nos EUA em meados de setembro. O negócio americano da Ultrahuman foi interrompido em outubro de 2025 após a Comissão Internacional de Comércio dos EUA decidir a favor da Oura em uma disputa de patentes, impedindo a Ultrahuman de importar novo inventário de anéis para o país. Em resposta, a Ultrahuman desenvolveu o Ring Pro com um fator de forma redesenhado para contornar a patente da Oura. O dispositivo apresenta um sistema redesenhado de detecção de frequência cardíaca voltado para melhorar a qualidade do sinal durante o sono, além de um novo processador dual-core que viabiliza coleta de dados mais precisa e maior processamento no dispositivo. Como mencionado anteriormente, a Ultrahuman demonstra ambições maiores com anéis futuros, visando ir além do rastreamento de sono e saúde.
O próximo Ring 3 series da Circular, que inclui um modelo Pro e uma opção Slim, está previsto para lançamento no início do próximo ano. Ambos os anéis inteligentes contarão com chip NFC integrado para pagamentos sem contato e vibrações no dedo que podem ser utilizadas para alarmes de despertar silencioso, lembretes, alertas de saúde vital e muito mais. O Ring 3 Pro apresenta um design mais fino que seu antecessor e vem com ECG aprovado pela FDA para detecção de fibrilação atrial, rastreamento de tendências de pressão arterial, rastreamento de glicose, análise avançada de sono e monitoramento biométrico abrangente.
O RingConn Gen 3, lançado em maio com preço inicial de US$ 349, oferece insights de saúde vascular que utilizam dados de sensores do anel para avaliar mudanças na tensão vascular ao longo do tempo após calibração com valores de pressão arterial medidos externamente. Também rastreia frequência cardíaca, saturação de oxigênio no sangue, sono, atividade e estresse, entre outras métricas. Adicionalmente, apresenta alertas de vibração para mudanças de saúde, lembretes de sedentarismo e bateria fraca. Diferentemente da Circular, que investe em hápticos para tornar seu anel mais comunicativo, a RingConn se concentra principalmente na vibração como mecanismo de alerta de saúde.
A Samsung se tornou o primeiro grande gigante da tecnologia a lançar um anel inteligente em 2024. O Galaxy Ring, com preço de US$ 399, é provavelmente o concorrente mais forte para quem já está investido no ecossistema de dispositivos da Samsung. Em comparação com outros anéis inteligentes do mercado, o Galaxy Ring é relativamente básico quando se trata de rastreamento avançado de saúde e sono. Carece de recursos como detecção de apneia do sono, oferecidos pela RingConn, Oura e Ultrahuman, bem como detecção de fibrilação atrial, disponível nos anéis inteligentes da Circular e RingConn.
A Dreame, entrada relativamente nova no mercado de anéis inteligentes, lançou um anel este ano com alertas hápticos para alarmes, chamadas, mensagens e muito mais, junto com um pequeno touchpad que permite fazer coisas como pular uma música ou tirar uma foto do seu telefone. Também oferece rastreamento de frequência cardíaca, monitoramento de oxigênio no sangue, insights de variabilidade da frequência cardíaca, análise de sono e muito mais.
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