Natura traz Alessandro Carlucci de volta à presidência após 10 anos
A Natura Cosméticos comunicou significativas mudanças em sua estrutura de liderança, conforme decisão tomada pelo conselho de administração na sexta-feira (28). João Paulo Ferreira, que atuou como CEO por uma década, renunciou ao cargo com efeito após 30 de setembro de 2026, afastando-se também imediatamente do conselho e dos comitês da companhia.
Durante sua gestão, João Paulo Ferreira conduziu processos estratégicos relevantes na história da Natura, incluindo a transformação multicanal da empresa, a digitalização da Venda Direta, a integração das operações da Avon e a ampliação da presença nos mercados da América Latina.
O conselho elegeu Alessandro Carlucci como novo diretor-presidente. Carlucci assume o cargo em 1º de outubro de 2026, com transição já em andamento conjuntamente com João Paulo. Carlucci já presidiu a Natura entre 2005 e 2014 e traz experiência consolidada em varejo, consumo e comércio digital, adquirida em outras grandes organizações. Em razão das regras estatutárias da Natura, Carlucci renunciou aos cargos de membro e presidente do conselho de administração, além dos comitês, a partir de 29 de agosto de 2026.
Para recompor a presidência do conselho, Fábio Barbosa, membro do conselho consultivo que liderou anteriormente a estruturação da reorganização de capital da Natura, foi eleito pelo colegiado para retornar à posição. Sua nomeação será submetida à ratificação dos acionistas na próxima Assembleia Geral.
A companhia ressaltou que as diretrizes estratégicas permanecem inalteradas e que as mudanças reforçam a continuidade da gestão alinhada ao legado da Natura, com foco em rentabilidade, eficiência operacional e alocação eficiente de capital.
O movimento ocorre em período de desempenho financeiro desafiador para a empresa. No segundo trimestre de 2026, a Natura reportou lucro líquido de R$ 35 milhões, resultado 82% menor na comparação com o mesmo período em 2025. Em teleconferência de resultados realizada após a divulgação do balanço, João Paulo Ferreira reconheceu que os números do trimestre frustraram as expectativas, apontando queda acentuada da receita no Brasil, que sofre com os impactos do cenário macroeconômico sobre a renda disponível.
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