Nasdaq fecha em alta com recuperação de empresas de IA antes das eleições
O índice Nasdaq fechou em alta nesta terça-feira, impulsionado pela recuperação das grandes empresas do setor de inteligência artificial, véspera dos resultados das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A movimentação reflete uma mudança de estratégia entre investidores, com recursos migrando de papéis mais seguros para ações de maior risco no segmento de tecnologia.
A Apple registrou queda de 1,9% após divulgar alertas sobre o aumento contínuo dos custos de chips de memória, o que pressionará sua margem bruta no trimestre das festas de fim de ano. A empresa se uniu a outras gigantes da tecnologia cujos resultados trimestrais não conseguiram impressionar investidores. Por outro lado, a Micron Technology subiu 2,6% e a Nvidia avançou 2,3%, recuperando-se após cair nas quatro sessões anteriores. A Microsoft e a Amazon subiram mais de 2% cada uma, enquanto a AMD subiu antes da divulgação de seu relatório trimestral, previsto para após o fechamento do mercado.
Segundo Jay Hatfield, diretor executivo da Infrastructure Capital Management, ocorre uma rotação de ações de tecnologia consideradas seguras, como a Apple, para ações de tecnologia mais arriscadas, como as fabricantes de chips. Para Hatfield, trata-se de uma compra em baixa em um mercado de maior risco, impulsionado pelo Nasdaq. O índice Nasdaq 100 encerrou a segunda-feira mais de 10% abaixo de seu recorde de fechamento de 6 de outubro, confirmando que o índice fortemente voltado para o setor de tecnologia entrou em uma fase de correção.
A correção foi motivada por temores de que os investimentos maciços em infraestrutura de inteligência artificial estejam superando a geração de caixa no curto prazo. As ações da Amazon e da Alphabet caíram acentuadamente na semana passada, após seus resultados trimestrais aprofundarem as preocupações dos investidores quanto aos pesados gastos com IA. O S&P 500 subiu 0,36% nesta sessão, encerrando o pregão em 7.568,92 pontos, e está cerca de 3% abaixo de seu fechamento recorde de 6 de outubro, mas ainda apresenta alta de mais de 10% em 2026.
Os preços do petróleo recuaram nesta terça-feira, oscilando entre novos bombardeios no Oriente Médio e sinais de avanços diplomáticos. O petróleo Brent para janeiro fechou em queda de 1,11%, a US$ 103,60 o barril, enquanto o petróleo WTI para dezembro recuou 0,38%, a US$ 96,09 o barril. A commodity iniciou o dia no campo positivo, com o mercado reagindo aos ataques norte-americanos contra alvos iranianos no Estreito de Ormuz, mas inverteu sinal após o Al-Araby Al-Jadeed publicar que Washington aprovou uma minuta de um memorando de entendimento com o Irã.
Do lado iraniano, contudo, os avanços não foram vistos com otimismo similar. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que a postura do país é de máxima cautela e total pessimismo em qualquer negociação diplomática. A autoridade sênior iraniana também declarou à Reuters que o Irã e os Estados Unidos ainda estão longe de um acordo para encerrar a guerra. Em paralelo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça que cortará a ajuda de US$ 4 bilhões dada por seu governo para Israel no final do ano, argumentando que o país não precisa mais da assistência.
Segundo análise da XS.com, a reação do petróleo indica que o mercado parece ter minimizado a importância dos bombardeios norte-americanos em solo iraniano, já que eles não pareceram representar uma escalada em um momento em que o mercado já precifica altos riscos de contágio. O ING avaliou que ainda é cedo demais para descartar qualquer risco de uma nova escalada no conflito, mas destacou que qualquer avanço mais concreto nas negociações significaria maior pressão baixista sobre os preços. Especialistas afirmam que não há fundamentos suficientes para justificar o nível de otimismo em relação às negociações, o que pode limitar a sustentabilidade da queda dos preços do petróleo.
Nos EUA, a votação das eleições de meio de mandato encerrava-se nesta terça-feira, em meio a incertezas sobre qual partido teria a maioria no Congresso.
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