Microsoft anuncia corte de 4,8 mil empregos com foco na reestruturação do Xbox
A Microsoft anunciou nesta segunda-feira uma nova rodada de demissões que afetará 4.800 funcionários, equivalente a aproximadamente 2,1% de sua força de trabalho global. A ação MSFT fechou o dia em queda de 1%, em um momento de recordes em Wall Street.
Do total de desligamentos, 1.600 atingem diretamente a divisão de videogames Xbox. A empresa projeta ainda mais 1.600 cortes ao longo do ano fiscal que iniciou na semana anterior, como parte de uma reorganização mais ampla do negócio de games.
Em memorando interno, a CEO do Xbox, Asha Sharma, fez um diagnóstico severo sobre a situação da divisão. "Nosso negócio hoje não está saudável", afirmou a executiva. Conforme Sharma, o Xbox opera com margens entre três e dez vezes menores do que as de negócios comparáveis de plataforma e publicação.
Além das demissões, a Microsoft está desmembrando quatro estúdios de desenvolvimento de videogames que haviam sido adquiridos anteriormente. A reestruturação ocorre em contexto de acirrada competição no mercado de games, onde o Xbox disputa espaço com PlayStation, da Sony, e Switch, da Nintendo.
Segundo Sharma, a indústria enfrenta uma grave crise de hardware, com a disparada dos custos dos componentes de consoles. Esse cenário pressiona as margens do negócio e aumenta a necessidade de ajustes operacionais.
Os cortes no Xbox ocorrem quase três anos após a Microsoft fechar um acordo de 69 bilhões de dólares para adquirir a Activision Blizzard, detentora de franquias como Call of Duty. Na época, a companhia declarou que a aquisição visava ampliar seu portfólio de desenvolvimento de jogos e impulsionar um serviço de assinatura em modelo semelhante ao da Netflix. Contudo, a nova reestruturação sugere que a estratégia não se mostrou suficiente para aliviar a pressão sobre o negócio.
Os desligamentos na divisão Xbox se somam a uma onda mais ampla de demissões na Microsoft. Em publicação em blog, a diretora de pessoal da companhia, Amy Coleman, atribuiu os desligamentos a mudanças não especificadas nas necessidades dos clientes e negou que os cargos estejam sendo eliminados em razão de inteligência artificial. "Também quero ser direta ao afirmar que os cargos eliminados hoje não estão sendo substituídos por inteligência artificial", escreveu Coleman.
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