Lula elogia diálogo com Trump, mas critica segundo escalão dos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo que mantém uma relação direta e respeitosa com Donald Trump, mas teceu críticas a integrantes do governo dos Estados Unidos. Segundo Lula, esses funcionários adotam posições que diferem substancialmente dos acordos e diálogos travados entre os dois presidentes.
Em entrevista à Record, gravada no Palácio da Alvorada e exibida durante debate presidencial da Band, Lula expressou sua percepção sobre as negociações bilaterais. "A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis", declarou o presidente.
Lula reforçou avaliação de que Trump demonstra ser "bem melhor na relação política" do que integrantes de sua própria assessoria. O presidente também rejeitou o que classificou como interferências dos Estados Unidos em assuntos brasileiros, voltando a este tema durante a entrevista.
A declaração ocorre dois dias após Lula e Trump conversarem por telefone durante aproximadamente uma hora e 20 minutos. Conforme informado pelo governo brasileiro, um dos principais assuntos da conversa foi a nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos do Brasil. Lula classificou como infundadas as justificativas apresentadas pelo governo americano para as medidas.
Na entrevista, o presidente afirmou ter contestado diretamente argumentos relacionados ao desmatamento, ao trabalho escravo e às relações comerciais do Brasil com outros países. Lula também relacionou parte das acusações americanas às compras brasileiras de produtos chineses e disse que não cabe ao Brasil fiscalizar condições de trabalho em outros países.
Apesar das críticas ao segundo escalão americano, Lula avaliou que o telefonema já produziu resultado concreto. Após a conversa, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, procurou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para propor a retomada das negociações técnicas.
O MDIC confirmou que o ministro Márcio Elias Rosa e representantes do Itamaraty deverão se reunir nesta semana com o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). A data ainda será definida pelas duas equipes.
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