Justiça ordena perícia antes de aceitar recuperação judicial das Casas Bahia
O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia enfrentou um obstáculo no poder Judiciário. A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo decidiu não autorizar de imediato o processo e determinou uma "constatação prévia", uma espécie de perícia para verificar se a empresa realmente reúne as condições técnicas e legais para ingressar no procedimento de recuperação judicial.
O Grupo Casas Bahia havia entrado com o pedido buscando renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas. O processo envolve uma ampla lista de fornecedores e instituições financeiras, criando incerteza entre os credores quanto aos prazos e condições de recebimento dos créditos anteriores ao pedido.
A Multi, fornecedora da varejista, sentiu o impacto da movimentação e reforçou suas provisões para perdas. A companhia reconheceu R$ 20 milhões adicionais relacionados a valores a receber das Casas Bahia, que se somam aos R$ 11 milhões já provisionados anteriormente, levando a exposição não coberta reconhecida em provisões para aproximadamente R$ 31 milhões. Esse montante corresponde exclusivamente à parcela da exposição que não está protegida por seguro de crédito ou outros instrumentos de garantia.
Os R$ 31 milhões em provisões totais representam 2,29% do saldo líquido de contas a receber da Multi. A provisão funciona como um reconhecimento contábil antecipado de uma possível perda, indicando que a companhia considera maior o risco de não receber integralmente seus créditos, sem que isso signifique necessariamente que todo o valor deixará de ser recuperado.
Apesar do reforço das provisões, a Multi considera a exposição pouco relevante diante do tamanho de sua carteira de recebíveis. A companhia informou que o episódio não provoca impacto significativo sobre sua posição patrimonial e financeira e que, neste momento, não espera efeitos capazes de alterar de forma relevante os resultados de 2026. Para os acionistas, o efeito mais direto tende a aparecer no balanço através da provisão adicional de R$ 20 milhões.
A recuperação efetiva dos créditos dependerá das condições estabelecidas no processo de recuperação judicial das Casas Bahia e do plano que será negociado com os credores. O pedido da varejista ainda está em fase inicial, e eventuais recuperações futuras dependerão do andamento do processo.
Conteúdo reescrito pelo Pense Mercado com base nas fontes acima. Não constitui recomendação de investimento.