Investigação do DOJ contra a16z intimida outros fundos de venture capital
O Departamento de Justiça está investigando a Andreessen Horowitz por manter assentos em conselhos de empresas que se tornaram concorrentes entre si, segundo relatório da Bloomberg. A investigação, que se estende há quase um ano, começou sob a administração Trump e envolve dois sócios da firma: Ben Horowitz, que ocupa assento no conselho da Databricks, e Martin Casado, que integra o conselho da Fivetran. Ambas as empresas agora competem no espaço de inteligência artificial.
A investigação se baseia em uma lei antitruste com 112 anos de idade raramente acionada contra fundos de venture capital. Conforme observou Kirsten Korosec, em conversa para o podcast Equity do TechCrunch, a questão central é por que o Departamento de Justiça priorizaria este assunto em relação a outros tópicos de importância maior. Anthony Ha, que trabalhou em um fundo de venture capital no passado, destacou que conflitos de interesse em conselhos não são novidade no setor e geralmente não são rigidamente fiscalizados. Ele apontou que, embora haja entendimento e leis sobre não estar em conselhos de startups concorrentes, este tipo de arranjo não é comumente questionado pelas autoridades.
Um fator complicador mencionado é a evolução natural das startups. As empresas investidas podem começar em um segmento e, posteriormente, mudar completamente sua direção ou explorar novos mercados. No caso específico investigado, a explosão do boom de inteligência artificial teria levado várias empresas a pivotarem seus modelos de negócio ou focar em subcategorias específicas da IA. Dada a dimensão da Andreessen Horowitz e o volume de investimentos e assentos em conselhos que mantém, tal sobreposição pode ocorrer naturalmente ao longo do tempo.
O comportamento discreto da firma durante a investigação chamou atenção. Sean O'Kane observou um contraste marcante com a postura durante a administração Biden, quando "cada pequena mudança de política, especialmente relacionada a criptografia, gerava um dia inteiro de postagens" nas redes sociais. Apesar da retórica forte do governo Trump sobre ser pró-antitruste e contra consolidação, as ações práticas não refletiram isso — como exemplificado pelo acordo com a Live Nation que manteve o Ticketmaster sem separação. A tranquilidade da Andreessen Horowitz diante da investigação contrasta com aquela era de postagens frequentes.
O fato de a investigação se estender por quase um ano suscita questionamentos. Ha argumentou que, se o único problema fosse as duas cadeiras específicas, o Departamento de Justiça simplesmente instruiria a empresa a deixá-las. A extensão da investigação sugere que pode haver acusações mais sérias em jogo, embora os detalhes permaneçam desconhecidos publicamente. Kirsten Korosec levantou a possibilidade de coexistirem duas realidades: um processo lento e inadequado do Departamento de Justiça e, simultaneamente, a existência de questões mais substanciais. A falta de resposta agressiva da firma pode indicar aconselhamento legal para manter discrição.
A principal questão emergente é o efeito dominó desta investigação sobre outros fundos de venture capital. Sean O'Kane especulou que o Departamento de Justiça poderia estar usando a Andreessen Horowitz como exemplo para estabelecer um precedente que firmas menores seguiriam. Ao invés de processar todas as firmas menores por arranjos similares, direcionar a ação contra a maior firma do setor poderia colocar os concorrentes em posição mais cautelosa e atenta aos riscos regulatórios.
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