Ibovespa inicia julho com terceira queda consecutiva; investidores temem juros e incerteza política
O Ibovespa fechou nesta quarta-feira com uma queda discreta de 0,2%, encerrando o pregão aos 171.688,61 pontos. O resultado marcou a terceira queda consecutiva do principal índice da B3 no início de julho. Durante o dia, o índice oscilou entre a mínima de 169.665,53 pontos e a máxima de 172.098,36 pontos, refletindo um mercado cauteloso e de liquidez reduzida.
O giro financeiro do dia totalizou R$ 21,6 bilhões, revelando a menor participação do capital estrangeiro nas negociações. Essa retração na participação de investidores internacionais sinaliza uma mudança significativa no fluxo de recursos externos para o Brasil, que havia registrado entrada de capital positiva no começo do ano.
Segundo Nicole Inui, estrategista-chefe de ações para as Américas do HSBC, as expectativas do mercado mudaram bastante nas últimas semanas. A executiva apontou que as perspectivas sobre juros, eleições e riscos inflacionários se alteraram significativamente, enquanto as empresas não demonstram uma grande recuperação nos lucros. Inui observou que grande parte dessas mudanças já está precificada no mercado, destacando que as expectativas de cortes na taxa Selic se reduziram em relação ao que era estimado no começo do ano.
A executiva do HSBC também mencionou que o mercado já antecipa um El Niño descrito como horrível, com potenciais reflexos na inflação, além de aguardar muita incerteza sobre as eleições. Apesar desse cenário desafiador, Inui se declarou cautelosamente otimista, apontando que uma melhora na bolsa depende de um catalisador específico: uma mudança na atual perspectiva de que o Banco Central não teria mais espaço para reduzir a taxa básica de juros.
O HSBC trabalha atualmente com uma Selic a 14,25% no final de 2026, diferentemente das expectativas anteriores. A estrategista afirmou que uma mudança nessa perspectiva certamente ajudaria o mercado de ações. Ela chamou a atenção para a reversão do fluxo de estrangeiros, que havia vindo bastante positivo no começo do ano. Segundo Inui, essa reversão ocorre devido à mudança nas expectativas para a Selic, além de um movimento de rotação de volta para ações nos Estados Unidos e tecnologia.
Ainda assim, Inui ressaltou que estrangeiros estão overweight em Brasil no universo de mercados emergentes, embora em um nível menor do que no passado. Para ela, isso sugere espaço para aumentar a posição. O Brasil continua muito bem posicionado no bloco de mercados emergentes, afirmou a executiva, ressaltando que o país é barato, entrega muitos dividendos, oferece um retorno de equity muito alto e possui um mercado bem líquido. Segundo Inui, é difícil um investidor ficar fora do Brasil. No curto prazo, o HSBC sugere que os investidores se posicionem em empresas domésticas cíclicas.
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