Ibovespa fecha em queda com inflação americana e cautela eleitoral; dólar sobe a R$ 5,02
O Ibovespa protagonizou nesta quarta-feira um dia de fortes oscilações, caindo mais de 1% durante o pregão matutino antes de reverter significativamente as perdas ao longo da tarde. O índice fechou com queda reduzida de 0,18%, aos 206.505,98 pontos, uma diferença negativa de apenas 381,54 pontos. Às 15h34, o principal índice da bolsa brasileira operava próximo dos 207 mil pontos, com valorização de 0,05%, enquanto o dólar avançava para R$ 5,03.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, resumiu a recuperação como algo que exige mais interpretação do que entusiasmo. Segundo ela, o movimento reflete um mercado que encontra sustentação em determinadas ações, mas continua exigindo proteção diante das incertezas internacionais e domésticas. "Depois de enfrentar pressão vendedora durante a manhã, o principal índice da bolsa brasileira reverteu as perdas. O movimento ocorre em uma sessão marcada pela inflação americana acima das expectativas, pela elevação dos rendimentos dos Treasuries e pela persistência do risco eleitoral brasileiro. A bolsa conseguiu apagar o prejuízo da manhã, mas a economia não dispõe da mesma borracha. O índice recuperou os pontos; a confiança ainda precisa apresentar o comprovante."
A dólar comercial subiu 0,17%, fechando a R$ 5,028, enquanto os DIs (juros futuros) encerraram o dia de forma mista. O suporte do índice veio principalmente de ações ligadas ao petróleo, que funcionaram como amortecedores das perdas registradas em bancos e empresas domésticas sensíveis a commodities.
Enrico Cozzolino, estrategista da Zermatt Partners, destacou que a bolsa havia subido quase 9% em uma semana com o rali eleitoral e chegado ao recorde, criando um cenário propício para realização de lucros. "Qualquer notícia ruim vira motivo para embolsar lucro. Não por acaso, as maiores quedas estão nas ações mais sensíveis a juros, que tinham sido as grandes vencedoras do rali."
A cautela foi alimentada por dados domésticos fracos. A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de agosto veio abaixo da mediana das projeções do mercado, mostrando contração de 0,1% e sustentando uma desaceleração da atividade. Contudo, o quadro de estagnação não foi pior porque o consumo das famílias continuou a exibir resiliência. Completando o cenário de incerteza, aguardava-se a publicação de pesquisa eleitoral Quaest na noite daquela quarta-feira.
No front internacional, o índice de preços ao consumidor dos EUA (CPI) veio dentro do esperado, embora em algumas métricas levemente mais forte, alimentando as preocupações com inflação persistente e contribuindo para a elevação dos rendimentos dos Treasuries.
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