Ibovespa cai pela 9ª sessão seguida; dólar sobe e fecha em R$ 5,22
O Ibovespa reduziu suas perdas no fim do pregão desta sexta-feira, mas ainda fechou em queda, consolidando a nona sessão negativa seguida. O índice de referência do mercado acionário brasileiro caiu 0,10%, encerrando em 166.934,20 pontos, com acúmulo de perda de 3,23% na semana. Durante o pregão, o índice oscilou entre a mínima de 164.835,38 pontos e a máxima de 167.099,46 pontos.
Esta sequência de nove quedas representa a maior série de perdas desde as 13 quedas seguidas registradas entre 1º e 17 de agosto de 2023. Na atual sequência de baixas, o Ibovespa acumulou um declínio de 6,22%, reduzindo a alta no ano para 3,61%. O desempenho negativo ocorre em meio à saída de investidores estrangeiros da bolsa paulista e reflete preocupações com o efeito do nível elevado de juros na atividade econômica, perspectivas fiscais do país e incertezas eleitorais e geopolíticas.
O último pregão da semana foi marcado também por vencimento de opções sobre ações e repercussão de balanços de empresas como Braskem e Raízen. A cautela dos agentes financeiros intensificou-se após o anúncio, na noite anterior, da abertura de processo pelo governo brasileiro para aplicar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos, em resposta à tarifa de 25% imposta a produtos brasileiros por supostas práticas comerciais desleais.
Cleiton Souza, sócio-fundador da Private Investimento, afirma que o mercado não está precificando apenas a reciprocidade, mas o risco de uma escalada. Segundo ele, enquanto a medida funcionar como instrumento de negociação, o impacto tende a ser administrável, mas "o problema para Bolsa e câmbio começa se a negociação der lugar a uma guerra comercial efetiva".
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, avalia que o anúncio da abertura da Lei de Reciprocidade é mais um movimento de sinalização diplomática do que de retaliação imediata. "Ainda não há contramedida na mesa, há um instrumento de pressão negocial sendo acionado. O rito passa pela Camex e leva tempo, o que dá espaço para acordo antes de qualquer sobretaxa efetiva", afirma Trevisan.
No mercado cambial, o dólar fechou a sessão em alta firme contra o real, marcando a maior sequência de altas diárias do ano. A moeda americana acumulou valorização de 2,7% na semana. A desvalorização do real acompanhou a queda do Ibovespa e a alta generalizada dos juros futuros, ocorrendo em meio a uma saída de capital do mercado brasileiro, à medida que grandes fundos reduzem sua exposição ao Brasil no período pré-eleitoral. Dados da B3 mostram uma saída líquida de R$ 13,56 bilhões em capital externo da bolsa em agosto até o dia 12, após saldo positivo registrado em julho.
Nos mercados internacionais, os índices de Nova York fecharam em baixa nesta sexta-feira. O S&P 500 recuou 0,17%, encerrando em 7.785,76 pontos. O Nasdaq caiu 0,28%, para 26.729,16 pontos, enquanto o Dow Jones Industrial Average perdeu 0,20%, encerrando em 53.732,41 pontos. A Applied Materials registrou queda de 5,1% depois que sua previsão trimestral otimista não conseguiu impressionar os investidores. Os mercados também foram pressionados por dados de vendas no varejo abaixo do esperado.
Os contratos futuros de petróleo subiram nesta sexta-feira. Os futuros do Brent fecharam a US$ 88,52 por barril, com alta de US$ 1,45, ou 1,67%. Os futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos fecharam a US$ 82,40, com alta de US$ 1,15, ou 1,42%. A elevação foi impulsionada por ataques a petroleiros e pela falta de avanços em um acordo de paz entre o governo Trump e a liderança do Irã.
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