Ibovespa cai após Fed adotar tom duro; dólar supera R$ 5,10
O Ibovespa perdeu força nesta quarta-feira, 17, e fechou em queda após a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. O índice havia chegado a subir mais de 1% ao longo da sessão, impulsionado pelo alívio com o petróleo e pela expectativa em torno das decisões de juros nos EUA e no Brasil. Porém, inverteu seu desempenho após o BC reforçar um tom mais hawkish de combate à inflação por meio do aumento dos juros.
O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, com decisão unânime. Na primeira reunião sob o comando de Kevin Warsh, o Fed trouxe um comunicado mais curto do que o habitual, com uma mensagem dura sobre a política monetária. As declarações do chairman em coletiva de imprensa reiteraram esse tom de endurecimento.
O impacto imediato foi sentido no câmbio. O dólar à vista, que operava em queda ao longo da maior parte do dia, ganhou força nas últimas horas de negócios. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, disparou após a fala de Warsh, superando os 100 mil pontos e tocando máxima de 100.500 pontos. A moeda norte-americana atingiu R$ 5,1217 no pico da sessão.
O dólar fechou em alta de 0,41% frente ao real, a R$ 5,1077, voltando a superar o nível de R$ 5,10 após três pregões. A moeda acumula ganhos de 0,91% na semana e de 1,28% em junho, após valorização de 1,82% em maio. As perdas no ano estão em 6,95%.
Segundo Jacques Zylbergeld, superintendente de câmbio do Banco Rendimento, a perspectiva de um dólar mais forte no exterior, diante da possibilidade de alta dos juros nos EUA neste ano, tende a limitar o espaço para uma recuperação do real. Zylbergeld observa que o ambiente doméstico também se tornou mais ruidoso, com as denúncias de envolvimento de políticos no escândalo do Banco Master e o aumento das preocupações com a questão fiscal, especialmente diante da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial.
No mercado brasileiro, o Copom tende a anunciar um novo corte da Selic, mas adotando um tom mais duro devido às expectativas piores de inflação. Conforme destacado por Zylbergeld, o Brasil manterá um juro muito alto e um diferencial grande em relação ao exterior, ainda que o novo patamar seja reduzido. O reflexo no mercado local foi imediato, embora o real tenha sofrido menos do que pares emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano.
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