HSLG11 mantém dividendo de R$ 0,75 apesar de calote da Casas Bahia em recuperação
O fundo imobiliário HSLG11 (HSI Logística) registrou alta de 3,75% nesta quarta-feira, a R$ 75,23, após divulgar esclarecimentos sobre os impactos do pedido de recuperação judicial da Casas Bahia. A varejista protocolou a solicitação em 16 de agosto junto à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo e é locatária de dois imóveis do fundo: HSI Log. Contagem, em Minas Gerais, e HSI Log. São José dos Pinhais, no Paraná.
A Casas Bahia responde por 30,9% da receita contratada do HSLG11, sendo 27,6% originários diretos da varejista e 3,3% ligados a áreas sublocadas, cujo pagamento integral segue sob sua responsabilidade. A gestora informou que não houve até o momento manifestação da Casas Bahia sobre intenção de rescindir os contratos ou desocupar os imóveis. Pelo contrário, os dois contratos foram classificados pela própria varejista como essenciais no pedido de recuperação judicial, reforçando a intenção de manter as operações nos galpões.
Os aluguéis referentes a julho foram integralmente pagos pela Casas Bahia. Porém, os vencimentos de agosto não haviam sido quitados até a divulgação do comunicado. A Casas Bahia foi notificada sobre o atraso e sobre a possibilidade de aplicação das penalidades previstas nos contratos. Os valores vencidos constituem crédito do fundo contra a companhia no contexto do pedido de recuperação judicial. Há distinção legal entre as parcelas já vencidas e os próximos aluguéis: com base no artigo 67 da Lei nº 11.101/2005, obrigações assumidas pelo devedor durante a recuperação judicial, incluindo aluguéis que vencerem a partir do deferimento do processamento, são classificadas como créditos extraconcursais e devem ser pagos normalmente, não se submetendo aos efeitos da recuperação judicial.
Apesar da incerteza envolvendo os pagamentos de agosto, o HSLG11 informou que manterá a distribuição de R$ 0,75 por cota na próxima divulgação de dividendos, prevista para 31 de agosto de 2026. A gestora utilizará o resultado acumulado atualmente disponível para complementar a receita caso a integralidade dos aluguéis devidos pela Casas Bahia não seja recebida no período. A projeção não configura promessa ou garantia de rentabilidade.
A situação ocorre em meio a uma estratégia que o HSLG11 vinha adotando para reduzir a concentração dos imóveis. Em abril de 2025, o fundo formalizou aditivos aos contratos dos dois ativos, aproximando os valores de locação aos praticados pelo mercado e iniciando a transformação dos galpões em empreendimentos multiusuários. A gestora apontou os imóveis de Contagem e São José dos Pinhais como ativos de qualidade, localizados em importantes hubs logísticos do país, posicionando-os comercialmente de forma favorável mesmo diante do cenário envolvendo a principal locatária.
O movimento de preço do fundo refletiu a incerteza do mercado. Na segunda-feira, a cota fechou em R$ 79,52, com queda de 4,69%. Na terça-feira posterior, registrou queda de 9,14% para R$ 72,51. Comparando com 20 de julho, quando a cota alcançou R$ 91,84, a desvalorização acumulada chegou a aproximadamente 21%. Até a divulgação dos fatos relevantes, não havia decisão judicial sobre o processamento do pedido apresentado pela Casas Bahia.
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