Grupo Toky registra prejuízo de R$ 232,7 milhões no 2T sob recuperação judicial
O Grupo Toky (TOKY3), holding que controla as varejistas de móveis e decoração Mobly e Tok&Stok, reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre de 2026, representando uma deterioração significativa frente ao prejuízo de R$ 88,8 milhões apurado no mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro semestre do ano, o resultado negativo atingiu R$ 308,3 milhões. A companhia atravessa seus primeiros meses sob recuperação judicial, processo que a administração identifica como agravante das dificuldades operacionais do período.
A retração dos negócios foi generalizada. O volume bruto de mercadorias (GMV) consolidado somou R$ 295,2 milhões no trimestre, representando queda de 31,9% comparado ao segundo trimestre de 2025, enquanto a receita operacional líquida caiu 37,3%, alcançando R$ 207,1 milhões. A diferença entre as duas quedas decorre do aumento nos cancelamentos de pedidos, que reduziu a taxa de conversão do GMV em receita reconhecida. Praticamente todos os canais de venda recuaram: o site registrou queda de 46,8%, o marketplace 40,9%, e as lojas físicas 23,4% no consolidado, com a Mobly apresentando retração de 41,0% e a Tok&Stok 18,9%.
A administração atribui o desempenho a uma combinação de fatores externos e internos. No cenário macroeconômico, destaca-se um contexto "severamente restritivo", caracterizado por juros elevados, alto endividamento das famílias e escassez de crédito, todos pressionando o consumo de móveis e decoração. Internamente, as rupturas de estoque provocadas pelo pedido de recuperação judicial abalaram a confiança de fornecedores e parceiros comerciais, interromperam o abastecimento e prolongaram os prazos de entrega. A margem bruta consolidada ficou em 52,1%, retraindo 1,6 ponto percentual, pressionada por descontos concedidos pela Mobly na tentativa de mitigar o impacto das rupturas nas vendas.
Os indicadores de rentabilidade também se deterioraram. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) do período foi negativo em R$ 156,2 milhões. Mesmo na visão ajustada, que exclui R$ 148,5 milhões em efeitos não recorrentes, o indicador permaneceu negativo em R$ 7,6 milhões, com margem de -3,7%, comparado a +7,0% no segundo trimestre de 2025. O caixa do Grupo encerrou o trimestre em R$ 23,4 milhões, com liquidez total de R$ 92,9 milhões.
A companhia implementa, desde 2023, o que chamou de "plano de transformação", com medidas operacionais e financeiras destinadas à melhoria de sua eficiência, rentabilidade e geração de caixa. Conforme informado, doze lojas foram fechadas e processos de reestruturação encontram-se em andamento, embora os detalhes completos dessa reestruturação não tenham sido integralmente divulgados no resultado trimestral.
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