EUA impõem tarifa de 50% sobre produtos canadenses após fracasso em negociações
Os Estados Unidos passaram a aplicar tarifas de 50% sobre aproximadamente US$ 20 bilhões em produtos canadenses neste sábado, 22, após o fracasso nas negociações comerciais entre os dois países na noite de sexta-feira, 21. As novas tarifas atingem aproximadamente 5% das exportações anuais do Canadá para o mercado americano.
Segundo o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, em comunicado lido a jornalistas durante teleconferência pouco antes da meia-noite, o Canadá recusou-se a finalizar o acordo nos termos acordados no início da semana. Greer afirmou que Washington havia oferecido ao Canadá o melhor tratamento possível entre os principais exportadores para o mercado americano, mas novas exigências e a retirada de compromissos por Ottawa teriam desestabilizado o entendimento alcançado nos últimos dias.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, contestou a versão americana. Segundo Carney, as mudanças de última hora nos termos propostos pelos EUA foram injustas, antieconômicas e colocaram em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo. O governo canadense anunciou que divulgará, nos próximos dias, novas medidas de apoio a trabalhadores e empresas afetados pelas tarifas.
Greer classificou a proposta americana como voltada para o futuro e afirmou que ela previa uma parceria histórica em matéria econômica e de segurança nacional. As tarifas deveriam entrar em vigor originalmente à 0h01 de quarta-feira, mas Trump adiou a aplicação por três dias para permitir a continuidade das negociações. O prazo terminou sem que os dois governos chegassem a um novo acordo.
Estados Unidos e Canadá movimentaram US$ 880 bilhões em bens e serviços no ano passado, em uma das relações comerciais mais integradas do mundo. Os dois países mantêm disputas comerciais há décadas, especialmente em setores como madeira serrada e produtos lácteos. Apesar dos conflitos, preservaram uma relação marcada por cooperação econômica, militar e diplomática. Soldados canadenses lutaram ao lado das forças americanas no Afeganistão após os ataques de 11 de setembro de 2001. A fronteira entre os dois países, de 8.894 quilômetros, não é submetida a controles aduaneiros tradicionais.
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