Eleições 2026: Goldman Sachs projeta volatilidade no Ibovespa entre primeiro e segundo turno
A eleição presidencial de 2026 entrou no radar dos investidores com força, e o Goldman Sachs projeta que o resultado pode gerar movimentos importantes no Ibovespa, particularmente nas ações mais sensíveis aos juros. De acordo com análise do banco, a votação tem potencial para reprificar ativos brasileiros conforme a definição do cenário político e suas consequências para a política fiscal e os juros se tornem mais claras.
O Ibovespa acumulou alta de aproximadamente 10% desde as mínimas de meados de agosto e apresentava ganho de cerca de 13% no acumulado do ano. No entanto, esse desempenho mascara diferenças relevantes dentro do índice. Enquanto as empresas exportadoras de commodities sustentaram a performance do indicador, as ações domésticas, small caps e papéis mais sensíveis aos juros permaneciam estáveis ou em queda no acumulado do ano. O Goldman identifica neste segmento um espaço para potencial reprecificação após a eleição.
O banco aponta que a eleição pode aumentar consideravelmente a volatilidade da Bolsa, principalmente porque o mercado começará a antecipar como será a política econômica após as urnas. O histórico de ciclos eleitorais anteriores oferece indicadores relevantes. O MSCI Brazil, que acompanha as principais ações brasileiras, registrou movimentos expressivos entre o primeiro e o segundo turno. Em 2006, 2018 e 2022, o índice acumulou altas de 4% a 7% em moeda local entre os dois turnos. A exceção ocorreu em 2014, quando recuou aproximadamente 5%.
Os movimentos podem ser ainda maiores após a definição das eleições. Segundo o Goldman, em 2006 e 2018 o mercado subiu entre 10% e 20% nos seis meses seguintes às eleições. Em 2022, ocorreu movimento contrário, com correção de aproximadamente 15%. A mensagem do banco, portanto, não é que a eleição necessariamente fará a Bolsa subir ou cair, mas que a definição do cenário político pode alterar rapidamente a percepção dos investidores sobre os ativos brasileiros.
Para investidores acompanhando o Brasil a partir do exterior, o EWZ representa uma das formas mais conhecidas de exposição ao mercado acionário brasileiro. Negociado em Nova York, este ETF acompanha o desempenho da Bolsa brasileira em dólares. O relatório do Goldman menciona aumento do interesse por opções de compra de curto prazo do EWZ e do Ibovespa, estratégia utilizada por alguns investidores para se posicionar em relação a uma eventual alta.
Cássio Bambirra, COO e sócio da One, avalia que o segundo turno é praticamente certo de ocorrer. Ele destaca que o principal fator que pode movimentar o Ibovespa na segunda-feira posterior ao primeiro turno será um possível desvio nas porcentagens de votos para os candidatos Luis Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Bambirra também chama atenção para os votos destinados aos demais candidatos, pois isso indica para onde esses votos se direcionarão no segundo turno. O resultado para a configuração do Senado e da Câmara dos Deputados também figura como relevante para os investidores.
Bambirra recorda que, após as eleições de 2022, o Ibovespa apresentou alta de 5%, reforçando que as eleições movimentam significativamente a Bolsa. Nos dias imediatamente anteriores ao primeiro turno, ainda há eventos relevantes para o mercado. Antes da votação, está programado um debate entre candidatos. No entanto, Bambirra avalia que o grande fator que pode causar oscilação no mercado será o Payroll, indicador que apresenta dados sobre vagas, desemprego e salários, informações que sinalizam os próximos passos do Federal Reserve para a taxa de juros norte-americana.
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