Dow bate recorde de fechamento; venda de chips derruba Nasdaq
Wall Street registrou avanços nesta quinta-feira, impulsionada por sinais positivos em direção ao encerramento da guerra do Irã, que melhoraram o sentimento dos investidores. Porém, o desempenho foi desigual entre os índices, com o Dow Jones atingindo um novo recorde de fechamento, enquanto o Nasdaq encerrou em queda nominal no dia.
O índice Dow foi sustentado principalmente pelos setores de saúde e ações financeiras, permitindo que alcançasse seu melhor fechamento histórico. O S&P 500, por sua vez, registrou ganhos mais discretos em relação aos outros índices, refletindo pressões setoriais específicas.
A fabricante de chips Broadcom foi o principal agente de pressão no mercado. A empresa não atingiu as expectativas de receita, causando queda de 12,6% em suas ações e desencadeando uma venda mais ampla no setor de semicondutores. Essa movimento contrasta com o desempenho excepcional dos papéis de chips ao longo do ano, que acumulam alta superior a 92% até o momento, impulsionados pelo frenesi relacionado à inteligência artificial.
Segundo Paul Nolte, consultor sênior de patrimônio e estrategista de mercado da Murphy & Sylvest em Elmhurst, Illinois, a queda da Broadcom representa um momento crítico de questionamento entre investidores. "A única mancha no mercado neste momento é a Broadcom, e acho que os investidores estão comprando a queda", afirmou. Nolte observou ainda que, embora os investidores não tenham desistido dos papéis de chips, existe um questionamento crescente sobre a legitimidade das avaliações do setor: "Não acho que os investidores tenham desistido dos papéis de chips ainda, mas o que eles ainda não entenderam é: isso é real? Essas avaliações são legítimas? Ainda não tenho certeza de que os investidores tenham realmente questionado isso."
As tensões no Oriente Médio continuaram influenciando o sentimento de mercado. Apesar de sinais de uma possível trégua entre Israel e Hezbollah, a falta de avanços concretos nas negociações com o Irã mantém a incerteza elevada. Um acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e o Líbano foi apresentado como condição essencial para um acordo de paz com o Irã, reforçando esperanças de solução de curto prazo. Entretanto, o Hezbollah, pró-Irã, rejeitou a trégua, afirmando que não retiraria tropas do Líbano.
A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou nesta quarta-feira uma medida que impediria o presidente Donald Trump de continuar a guerra contra o Irã. Essa aprovação legislativa contribuiu para o otimismo inicial observado nos mercados. Os futuros do petróleo bruto registraram queda no contrato mais curto, refletindo esperanças de que o tráfego de navios-tanque pelo crítico Estreito de Ormuz pudesse ser retomado em breve.
Nolte ressaltou a natureza incerta dos desenvolvimentos geopolíticos: "Quantos acordos já fizemos? É sempre na esquina, uma esquina que ainda não alcançamos. As coisas estão se movendo, mas será que...", indicando ceticismo cauteloso sobre a materialização desses avanços.
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