Dólar sobe com tensões no Oriente Médio e cenário eleitoral indefinido
O dólar à vista operava em alta nesta segunda-feira, com o mercado atento a dois principais fatores de risco: as iminentes sanções dos Estados Unidos contra o Irã e o cenário eleitoral tanto nos EUA quanto no Brasil.
Às 9h08, o dólar à vista tinha valorização de 0,10%, cotado a R$ 5,150 na venda, com compra a R$ 5,149. O contrato futuro de dólar para setembro, o mais negociado no Brasil, subia 0,25% na B3, aos R$ 5,159.
A incerteza em torno das sanções americanas contra o Irã continha o apetite por risco dos investidores. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, estava previsto para conceder entrevista à imprensa nesta segunda-feira a fim de detalhar as sanções contra o país, que não demonstra sinais de abrir mão do controle sobre o Estreito de Ormuz.
No cenário doméstico, a disputa eleitoral acirrada adicionava volatilidade aos mercados. Uma pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 47% das intenções de voto contra 43% do senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Um levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira apresentava cenário ainda mais próximo, com Lula em 46% e Flávio em 45%, também com margem de erro de 2 pontos percentuais. Esse quadro de empate técnico revelava maior indefinição para os agentes de mercado.
No exterior, investidores aguardavam pronunciamentos de autoridades americanas sobre os próximos passos da política monetária. O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, estava agendado para discursar na sexta-feira em Jackson Hole, Wyoming, e enfrentaria perguntas sobre as perspectivas para as taxas de juros dos EUA e sobre as recompras de títulos do Tesouro.
Os rendimentos dos títulos de longo prazo vinham subindo globalmente devido a uma combinação de perspectivas de crescimento econômico sólido, expectativas crescentes de inflação e preocupação com o endividamento soberano exorbitante. Na semana anterior, após os rendimentos dos títulos de 30 anos atingirem máximas de quase duas décadas, o Tesouro dos EUA anunciou que dobraria as recompras de títulos de longo prazo para US$ 4 bilhões por operação. Embora o montante seja insignificante em um mercado de US$ 32 trilhões, o sinal intervencionista assustou investidores e afetou a cotação do dólar.
Os índices futuros americanos também operavam em queda. O Dow Jones Futuro caía 0,14%, o S&P Futuro recuava 0,16% e o Nasdaq Futuro apresentava desvalorização de 0,47%. O Ibovespa Futuro, com vencimento em outubro, caía 0,42%, aos 173.340 pontos, refletindo o cenário de incerteza interna e externa.
Nos mercados asiáticos, a maioria das bolsas fechou em baixa, com o Kospi da Coreia do Sul liderando as perdas regionais, com queda de 3,12% para 6.696,96 pontos. Os preços do petróleo recuavam após duas semanas de ganhos, com o mercado aguardando a divulgação do plano de isolamento econômico dos EUA para o Irã prevista para esta segunda-feira. As cotações do minério de ferro na China fecharam em alta, impulsionadas por novos sinais de estímulo no país.
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