Dólar sobe a R$ 5,11 com aversão a risco global; semana fecha estável
O dólar à vista encerrou a sexta-feira com alta de 0,25%, cotado a R$ 5,1109, acompanhando o movimento de fortalecimento da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior. O resultado refletiu principalmente a intensificação de ataques entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, que provocou aumento da aversão a risco nos mercados globais.
No acumulado da semana, o dólar fechou praticamente estável, com variação positiva de apenas 0,06% ante o real no mercado à vista. No ano, a moeda acumula queda de 6,89%. O dólar futuro para agosto, atualmente o mais líquido no mercado brasileiro, apresentava variação negativa de 0,04% na B3, cotado a R$ 5,1260.
A sessão foi marcada por movimento de "risk-off" nos mercados globais, com pressão vendedora acentuada sobre ações de setores de tecnologia, particularmente em empresas de semicondutores. Segundo Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, o aumento da aversão global a risco penalizou de forma ampla as moedas de países emergentes e exportadores de commodities, intensificando o fluxo de busca pelo dólar como ativo mais seguro. O DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais como euro e libra, operava estável aos 100,751 pontos por volta de 17h, enquanto acumulava queda de 0,21% na semana.
No fronte geopolítico, o Irã afirmou ter lançado novos ataques contra instalações dos Estados Unidos no Golfo Pérsico nesta sexta-feira, após a sexta noite consecutiva de ataques norte-americanos a instalações militares iranianas. O mercado de câmbio também continuou monitorando os possíveis impactos da imposição de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelo governo Trump. Conforme avaliado por Rebecca Nossig, o mercado monitora de perto as sinalizações de Brasília sobre uma possível resposta comercial por meio da Lei de Reciprocidade, o que gera temor de uma disputa tarifária em espiral que poderia sufocar o comércio bilateral.
No cenário doméstico, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), registrou crescimento de 0,1% em maio na comparação com abril, acima das projeções de recuo de 0,2% medidas pelo Broadcast. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a prévia do PIB teve alta de 0,8%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 1,4%, de acordo com números não dessazonalizados. Apesar da surpresa positiva nos dados, economistas avaliam que o resultado não altera o diagnóstico de desaceleração gradual da economia brasileira, uma vez que outros indicadores divulgados ao longo das últimas semanas já apontavam para uma perda de ritmo da atividade no segundo trimestre.
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