Dólar cai mais de 4% e cai abaixo de R$ 5 após resultado do primeiro turno
O dólar à vista operou com forte queda ante o real nesta segunda-feira (5), refletindo a reação dos investidores ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. A moeda desabou mais de 4%, encerrando o pregão matinal abaixo da marca de R$ 5,00, em movimento que contrariou a maior parte das pesquisas divulgadas na reta final da campanha.
Às 9h09, o dólar à vista desabava 4,44%, cotado a R$ 4,985 na venda. O dólar futuro para novembro, o mais negociado no Brasil, cedia 4,38% na B3, aos R$ 5,023. Na abertura do pregão, a divisa abriu a R$ 4,9760 com queda de 4,61%, após fechar a sexta-feira anterior (2) cotado a R$ 5,2165.
O resultado eleitoral foi o catalisador para o movimento. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%, uma vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos. Em discurso, Flávio afirmou que o resultado das urnas decreta o fim da era PT e comprometeu-se com o fim da reeleição caso eleito, ressaltando que só precisaria de um mandato para resolver os problemas do país.
O mercado reagiu positivamente à perspectiva de alternância de poder. Marco Saravelle, estrategista-chefe da Krivo Capital, afirmou que o resultado criou um novo ponto de partida para o mercado. A leitura inicial do mercado é relativamente simples: passa a ser atribuída uma probabilidade maior de alternância de poder e, junto com ela, uma possibilidade maior de mudança na condução fiscal a partir de 2027. Uma potencial vitória de Flávio consolidaria o poder conservador, que tende a aplicar políticas favoráveis ao mercado, como o esperado ajuste fiscal e uma possível nova reforma da previdência.
O otimismo com os ativos locais foi reflexo das expectativas de mudança fiscal. O Ibovespa futuro saltou 9,32%, aos 211.000 pontos, por volta de 9h. O ETF brasileiro EWZ disparou 11% após o resultado. A segunda votação para a presidência está confirmada para 25 de outubro, quando haverá o segundo turno entre os dois candidatos. Lula, por sua vez, tentou injetar ânimo em seus apoiadores ao prometer que começaria de imediato uma nova campanha para virar o resultado na votação decisiva.
No cenário macroeconômico, o Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira trouxe revisões nas projeções econômicas. Os economistas ouvidos pelo Banco Central aumentaram as expectativas para a inflação de 2026, com a projeção mediana para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subindo de 4,99% para 5,01%, na terceira semana consecutiva de alta. Na atividade econômica, a expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 passou de 1,86% para 1,85%, na quarta semana consecutiva de queda. As expectativas para o câmbio ficaram praticamente estáveis, com o mercado mantendo a projeção do dólar em R$ 5,20 para 2026.
No exterior, os mercados operavam sem direção única. Em Wall Street, o tom era negativo, com o S&P 500 caindo 0,06%, aos 7.772,25 pontos; o Dow futuro recuando 0,06%, aos 51.447,00 pontos; e o Nasdaq futuro em baixa de 0,12%, aos 31.024,00 pontos. O índice de dólar global (DXY), que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, operava com alta de 0,30%, aos 102.233 pontos, evidenciando que a queda do dólar no Brasil foi principalmente um movimento local.
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