Dólar cai a R$ 5,17 após Tesouro dos EUA ampliar recompra de títulos
O dólar fechou nesta quarta-feira em queda firme contra o real, refletindo a fraqueza generalizada da divisa norte-americana no mercado internacional. A queda foi desencadeada pelo anúncio do Tesouro dos Estados Unidos de que irá dobrar o tamanho de algumas operações de recompra de títulos públicos.
O dólar à vista encerrou o pregão com redução de 0,86%, cotado a R$ 5,1777 na venda. O contrato futuro para setembro, atualmente o mais negociado no Brasil, caía 0,72% na B3, aos R$ 5,1920 às 17h31.
O Tesouro americano anunciou de forma inesperada que está ampliando as recompras de títulos públicos de longo prazo. Apenas duas semanas após divulgar seu cronograma planejado de recompras para o trimestre, o Departamento do Tesouro informou que está aumentando, pelo menos em dobro, o tamanho das operações de recompra voltadas ao suporte de liquidez para títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos. A medida, que estará em vigor entre 9 de setembro a 4 de novembro, contempla pelo menos US$ 4 bilhões por operação.
A decisão foi tomada em meio à alta dos rendimentos dos títulos americanos para os níveis mais elevados em anos. O anúncio ocorreu um dia após uma grande onda de vendas ter empurrado o rendimento dos títulos de 30 anos para seu patamar mais alto desde 2007, contexto marcado por temores de uma escalada na guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã e crescentes preocupações com a deterioração do quadro fiscal americano.
Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, destacou que esse movimento tirou a pressão no mercado de juros nos EUA e ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Por volta das 16h30, o rendimento do Treasury de dez anos caía 6 pontos-base, a 4,647%, enquanto o retorno do papel de 30 anos recuava 9 pontos-base, a 5,193%.
No Brasil, as taxas dos DIs também fecharam em queda, acompanhando o movimento observado nos mercados de títulos do exterior. A taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,9%, ante o ajuste de 13,971% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,66%, ante o ajuste de 14,779%.
Neste contexto, a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, que era aguardada pelo mercado, ficou em segundo plano. Divulgado durante a tarde, o documento mostrou que a preocupação com a inflação se aprofundou na reunião do Fed no mês passado. Segundo o texto, vários formuladores de política monetária estão dispostos a aumentar as taxas de juros, e muitos afirmam que um aumento nos custos de empréstimos seria necessário caso a inflação não caísse para a meta de 2% do banco central dos EUA.
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