Cury cresce em lançamentos, mas vendas líquidas caem no 2T26
A Cury encerrou o segundo trimestre de 2026 com resultados contraditórios. Apesar do crescimento em lançamentos, na geração de caixa e na constituição do maior banco de terrenos de sua história, conforme prévia operacional divulgada nesta terça-feira, as vendas líquidas apresentaram retração significativa.
As vendas líquidas alcançaram R$ 2,05 bilhões no trimestre, representando queda de 9,5% frente ao segundo trimestre de 2025. A velocidade de vendas líquida (VSO) recuou para 40,5%, comparado aos 47,5% registrados um ano antes. O resultado reflete desaceleração no ritmo de comercialização, apesar de o preço médio das vendas ter avançado 6,9%, chegando a R$ 331 mil por unidade. Este aumento de preço médio sinaliza foco da construtora em produtos de maior valor agregado. Os distratos também apresentaram melhora relativa, representando 7,7% das vendas brutas, redução ante os 9,5% observados no mesmo período do ano anterior.
Em contrapartida, a companhia apresentou crescimento nos lançamentos. A Cury lançou R$ 2,26 bilhões em Valor Geral de Vendas, alta de 1,4% na comparação anual. No trimestre, foram lançados 11 empreendimentos, sendo oito em São Paulo e três no Rio de Janeiro, totalizando 6.549 unidades. Embora o VGV tenha crescido, o número de unidades lançadas recuou 0,6% em relação ao segundo trimestre de 2025, enquanto o preço médio dos imóveis subiu 2%, para R$ 344,6 mil. No acumulado do primeiro semestre, os lançamentos totalizaram R$ 4,90 bilhões em VGV, queda de 2,1% na comparação anual.
A operação manteve forte ritmo de execução. A Cury produziu 5.737 unidades no trimestre, estabelecendo novo recorde para a companhia, com alta de 41,8% em relação ao segundo trimestre de 2025. Os repasses somaram R$ 2,02 bilhões em VGV, enquanto o estoque encerrou junho em R$ 3,01 bilhões, dos quais 97,9% correspondem a empreendimentos lançados ou em construção, reduzindo a exposição a unidades prontas.
O banco de terrenos emergiu como ponto de destaque, atingindo R$ 26,1 bilhões em VGV potencial, novo recorde da companhia. O landbank cresceu 23,6% em um ano e passou a comportar 84.055 unidades distribuídas entre 91 projetos. A distribuição geográfica concentra R$ 19,2 bilhões em São Paulo e R$ 6,9 bilhões no Rio de Janeiro, mercados considerados estratégicos pela incorporadora.
A geração de caixa operacional permaneceu positiva pelo 29º trimestre consecutivo, alcançando R$ 144,9 milhões entre abril e junho, representando avanço de 40,2% frente ao segundo trimestre de 2025. No acumulado do primeiro semestre, a geração de caixa somou R$ 238,2 milhões, crescimento de 84,5% em relação ao mesmo período de 2025. Este desempenho reforça a capacidade da companhia de financiar sua expansão mesmo em ambiente de juros elevados.
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