Colômbia declara estado de emergência após terremoto de magnitude 7,4 com mais de 100 mortos
Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia nesta segunda-feira, deixando um saldo de pelo menos 111 mortos, centenas de edifícios danificados e muitas pessoas presas sob os escombros enquanto familiares e equipes de resgate vasculhavam os destroços. O presidente Abelardo de la Espriella declarou estado de emergência para agilizar a liberação de recursos destinados à recuperação pós-desastre e anunciou que visitaria a área afetada.
O epicentro do terremoto foi localizado em San José del Palmar, uma comunidade de aproximadamente 4.800 habitantes na região de Chocó, a cerca de 400 quilômetros a oeste de Bogotá, segundo informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e do Serviço Geológico da Colômbia. O tremor ocorreu a uma profundidade de 107 quilômetros. Conforme o Serviço Geológico da Colômbia, este foi o terremoto mais forte registrado no país durante o século XXI e foi seguido por 21 réplicas de menor intensidade.
A região onde se localiza o epicentro situa-se ao longo do chamado Círculo de Fogo, a linha de falhas sísmicas que circunda o Oceano Pacífico e onde ocorre a maioria dos terremotos do mundo. O tremor também foi sentido em países vizinhos, Equador e Panamá, embora tenham sido relatados danos mínimos nessas áreas.
O impacto do terremoto foi devastador em várias cidades do oeste colombiano. Em Manizales, localizada nas montanhas produtoras de café da Colômbia, uma das torres da catedral neogótica desabou sobre a nave. Segundo o prefeito Jorge Eduardo Rojas, duas pessoas morreram na cidade por causa do terremoto, e ele pediu aos moradores que permanecessem ao ar livre em caso de tremores secundários. Em Cali, terceira maior cidade do país com 2 milhões de habitantes, o prefeito Alejandro Eder informou que moradores ficaram presos em pelo menos 20 prédios que desabaram. Na capital da região de Chocó, Quibdó, cidade com cerca de 130 mil habitantes, a governadora Núbia Córdoba afirmou que há feridos e danos graves em edifícios.
Seis aeroportos localizados no oeste do país foram danificados e suspenderam suas operações. Os aeroportos que atendem as cidades de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura interromperam o funcionamento devido aos estragos causados pelo terremoto. A região de Chocó, onde se localiza o epicentro, situa-se em meio a uma densa selva e grande parte dela só é acessível por barco ou avião, o que representa um desafio para as autoridades na avaliação da extensão total dos danos.
Imagens divulgadas por meios de comunicação locais mostraram casas e pequenos edifícios desabando nas cidades de Pereira, Cali e Quibdó. Jorge Moncayo, um taxista de 64 anos em Cali, relatou ter visto nuvens de poeira se levantarem da sua casa nas montanhas, enquanto prédios desabavam. Moncayo declarou: minha casa inteira tremeu e nunca viveu um terremoto tão forte.
Trêmores de pequena magnitude, conhecidos como temblores, são comuns no centro e oeste da Colômbia, mas os que ultrapassam magnitude 6,0 são raros. Em 1999, um terremoto de magnitude 6,2 próximo à região causou danos significativos.
A comunidade internacional ofereceu apoio ao governo colombiano. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, comunicou sobre sua intenção de colaborar nas atividades de resposta ao desastre e informou não ter recebido notificação, até o início daquela tarde, a respeito de brasileiros entre as vítimas. No México, a presidente Claudia Sheinbaum afirmou que o país daria todo o apoio necessário ao povo da Colômbia. Nos Estados Unidos, o secretário de Estado Marco Rubio escreveu que a Administração Trump estava acompanhando de perto o terremoto e estava pronta para apoiar o povo colombiano. O governo da Venezuela, por sua vez, também expressou solidariedade: o chanceler Félix Plasencia González ofereceu o envio de equipes de resgate e ajuda humanitária, reafirmando o compromisso com os laços de fraternidade, cooperação e unidade latino-americanas.
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