Bolsas de NY fecham em alta com deflação no CPI; IBM desaba 24,9%
Os principais índices das bolsas de Nova York fecharam em alta nesta terça-feira (14), impulsionados pelo alívio da inflação ao consumidor dos EUA. O Dow Jones subiu 0,02%, encerrando em 52.508,27 pontos, o S&P 500 ganhou 0,38% aos 7.543,59 pontos, e o Nasdaq avançou 0,9%, fechando em 26.107,01 pontos.
O índice de preços ao consumidor (CPI) registrou deflação de 0,4% em junho, a maior queda mensal desde abril de 2020 e abaixo das expectativas do mercado. No acumulado de 12 meses, a inflação norte-americana desacelerou de 4,2% em maio para 3,5%, também inferior às projeções. O dado trouxe alívio aos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, os Treasuries, embora tenha sido recebido com cautela por membros do Federal Reserve e satisfação pelo governo americano.
O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, declarou nesta terça-feira que não considera a missão cumprida após o dado e que ainda há muito a fazer para que tudo esteja bem. O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, seguiu na mesma linha. Após a divulgação do CPI, o Goldman Sachs revisou em baixa a previsão para o núcleo do índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE) para 0,18% em junho, contra a expectativa anterior de 0,24%.
Sobre o cenário geopolítico, houve recuo do presidente norte-americano Donald Trump sobre a cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz, fato que também deu suporte às ações.
Nas ações individuais, a IBM derreteu 24,9% e respondeu pela maior queda tanto do Dow Jones quanto do S&P 500. Os resultados preliminares de lucro ajustado e receita da empresa para o segundo trimestre ficaram abaixo das previsões dos analistas, em razão do baixo desempenho da divisão de infraestrutura. O setor bancário reagiu de forma mista aos balanços: o Goldman Sachs disparou 9% e o JPMorgan subiu 2,5% após superar as projeções, enquanto o Bank of America avançou 1,9%. Na contramão, o Citigroup cedeu 5,3% após anunciar ventos contrários na divisão de cartão de crédito, e o Wells Fargo caiu 0,2%, apesar de registrar resultados do segundo trimestre acima do esperado.
As ações do Lucid Group despencaram 16% depois que um boletim informativo sobre veículos elétricos sugeriu que a empresa estaria considerando pedir falência. A Lucid negou a informação. No segmento de semicondutores, as ADRs da SK Hynix avançaram 27%.
No Brasil, a curva de juros futuros devolveu parte dos ganhos e fechou a sessão em queda na esteira dos rendimentos dos Treasuries. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu 6 pontos-base, fechando a 13,895% ante 13,955% do fechamento anterior. A taxa de DI para janeiro de 2029 encerrou em 14,020%, queda de 21 pontos-base de 14,230%, enquanto a DI para janeiro de 2036 recuou 11 pontos-base, terminando a 14,280% ante 14,395%.
O yield do Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, operava por volta de 18h (horário de Brasília) a 4,191% ante 4,263% do ajuste anterior, enquanto o retorno do título de dez anos, referência para empréstimos imobiliários e financiamentos de veículos, caía para 4,587%, de 4,610% do dia anterior. A ferramenta FedWatch do CME Group apontava para 83,4% de chance de o Fed manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na decisão prevista para o dia 29 deste mês, ante 63,1% antes do CPI. Para a reunião seguinte em setembro, o mercado via 56,5% de chance de uma elevação nos juros contra 71,7% antes do CPI.
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