Bolsas de NY e Europa caem com pressão de juros, petróleo e sinais do Fed
As bolsas de Nova York fecharam em queda nesta quarta-feira, 7, recuando das máximas recordes alcançadas na sessão anterior. O Dow Jones caiu 0,66%, encerrando em 51.179,87 pontos; o S&P 500 registrou baixa de 0,22%, fechando a 7.801,77 pontos; e o Nasdaq recuou 0,22%, terminando em 27.538,69 pontos. O movimento ocorreu em meio à volatilidade nos juros dos Treasuries, à alta dos preços do petróleo e a sinalizações do Federal Reserve indicando a possibilidade de mais um aumento na taxa de juros ainda este ano.
A ata do Federal Reserve divulgada nesta quarta-feira revelou que os dirigentes consideram que o movimento atual dos juros dos Treasuries foi influenciado, em parte, pela forte emissão de dívida privada destinada a financiar o desenvolvimento de infraestrutura de inteligência artificial. Os rendimentos dos títulos americanos renovaram máximas não vistas em décadas durante a sessão, mas passaram a recuar após um leilão de T-notes de 10 anos que superou a média. Para analistas da CBIC, a ata do Fed confirmou que a maioria dos dirigentes prevê mais um aumento das taxas de juros até o final do ano, com membros avaliando riscos de alta para a inflação e considerando que quanto mais tempo os preços da energia permanecessem elevados, maior seria o risco de aumentos de custos.
As ações dos bancos caíram em bloco na sessão, à medida que investidores temiam que taxas de juros mais altas pudessem prejudicar a atividade de empréstimos. As ações do Goldman Sachs, Bank of America e Wells Fargo caíram mais de 1% cada, enquanto Citigroup e JPMorgan recuaram cerca de 0,5% cada. O setor de tecnologia também enfrentou pressão, com preocupações de que custos de empréstimos mais altos poderiam limitar a expansão da inteligência artificial. As ações da CrowdStrike caíram quase 5%, enquanto Palo Alto Networks e Meta Platforms registraram perdas de mais de 3% e 2%, respectivamente.
A Caterpillar e Deere foram destaques negativos, aprofundando a queda do Dow Jones. A Caterpillar caiu 5,75% e a Deere recuou 3,8% após a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) lançar uma investigação sobre a concorrência e as práticas de negócios nas indústrias de equipamentos e tecnologia agrícola.
Na Europa, o cenário também foi de declínios generalizados. Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,79%, a 10.458,50 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,41%, a 25.091,34 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 1,22%, a 7.769,21 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuou 2,51%, a 49.972,25 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 1,80%, a 19.093,80 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 cedeu 0,92%, a 9.333,76 pontos. As bolsas europeias sofreram pressão de preocupações políticas e com o déficit, especialmente na França, onde os juros dos títulos permaneceram em foco em meio às negociações orçamentárias. O governo do presidente Emmanuel Macron insiste que limitará o déficit a 5% do Produto Interno Bruto.
O setor bancário europeu foi particularmente afetado, com recuos de 3,3%. Entre os principais destaques, Société Générale caiu 5,1% e BNP Paribas cedeu 4,1%, ambos com sede na França. Em Amsterdã, o ABN AMRO recuou 3,8% após o governo da Holanda anunciar que pretende reduzir sua participação no banco para 10,5%.
Os preços do petróleo também contribuíram para a pressão nos mercados globais. A retomada de alta dos preços foi impulsionada por incertezas geopolíticas no Oriente Médio, com agravamento da crise entre os Houthis do Iêmen e a Arábia Saudita, com os Houthis reivindicando novos ataques. Apesar da alta dos preços de energia, o dirigente do Banco Central Europeu Álvaro Santos Pereira afirmou que os níveis atuais de inflação e de inflação subjacente estão muito abaixo dos observados durante o choque de energia de 2022, e não há efeitos de segunda ordem no momento. O também dirigente do BCE Primoz Dolenc pontuou que a atual postura de política monetária do banco central da zona do euro permitirá às autoridades reagir a qualquer choque.
Em dado positivo para a economia europeia, a produção industrial da Alemanha subiu 2% em agosto ante julho, sugerindo que o impacto econômico da onda de calor e da seca no período foi menos severo do que se temia.
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