BofA reduz recomendação para Brasil a neutra diante de Selic mais elevada
O Bank of America rebaixou sua recomendação para ações brasileiras de overweight, posição que sinalizava exposição acima da média do mercado, para marketweight, configurando uma postura neutra. A mudança, divulgada em relatório da equipe de estratégia para América Latina nesta quarta-feira (10), reflete preocupações com a trajetória dos juros domésticos e perspectivas mais fracas para os lucros das empresas brasileiras.
A decisão está fundamentada em uma revisão altista das projeções para a taxa básica de juros. Conforme os estrategistas liderados por David Beker, a equipe econômica do banco agora projeta a Selic em 14,25% ao final de 2026, ante 13,25% em estimativa anterior. Esse cenário implica apenas um corte adicional em junho, seguido por uma pausa prolongada na redução dos juros.
Além do fator juros, o BofA aponta outros riscos que contribuíram para o rebaixamento. Os riscos para a inflação permanecem inclinados para cima em meio à fraqueza do real, enquanto a volatilidade ligada às eleições tende a aumentar. Diante desse quadro desafiador, o banco decidiu reduzir sua exposição ao mercado brasileiro. "Estamos mais cautelosos com o Brasil e passamos a recomendação para marketweight", afirmaram os analistas.
As mudanças na carteira latino-americana do BofA refletem essa maior prudência. A principal alteração foi a entrada da Equatorial no lugar da Copel. Segundo o banco, a troca ocorreu por conta de uma "valorização atrativa e opcionalidade na alocação de capital" da companhia. Sabesp, Ecorodovias e Ânima também foram retiradas da seleção. No caso da Sabesp, os estrategistas apontaram "falta de gatilhos de curto prazo" para os papéis. Ecorodovias e Ânima foram excluídas por serem consideradas "menos atrativas em um cenário de juros elevados por mais tempo".
Apesar da visão mais cautelosa para o país, o BofA afirma continuar enxergando oportunidades específicas. Os analistas destacam bancos considerados preparados para um ambiente de crédito mais desafiador e empresas com menor risco para os lucros em um cenário de Selic elevada como potenciais alternativas.
Na estratégia regional, o banco ampliou sua exposição à região andina, incluindo o colombiano Davivienda e as chilenas BCI e Coca-Cola Andina. Para o México, a recomendação permaneceu neutra, mas com uma postura mais cautelosa diante da desaceleração econômica, das incertezas políticas e dos riscos relacionados ao acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA). Mesmo após o rebaixamento, o Brasil continua sendo o principal mercado da carteira latino-americana do BofA.
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