Banco do Brasil lucra acima do esperado no 2T26, mas ações caem; entenda
O Banco do Brasil divulgou na noite de quarta-feira os resultados do segundo trimestre de 2026. O lucro líquido ajustado somou R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e acima da expectativa dos analistas, que projetavam um lucro de R$ 3,6 bilhões conforme compilação da LSEG.
Apesar do resultado acima do esperado, as ações BBAS3 não reagiram positivamente ao balanço. Por volta das 15h desta quinta-feira, os papéis da instituição caíam 3,84%, cotados a R$ 18,27.
No primeiro semestre de 2026, o Banco do Brasil lucrou R$ 7,3 bilhões, dentro do guidance que previa lucro semestral entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, o lucro cresceu 13,9%. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 8,3%, subindo em relação aos 7,3% do primeiro trimestre, mas praticamente estável frente aos 8,4% registrados um ano antes.
A margem financeira bruta somou R$ 27,5 bilhões no trimestre. O custo de crédito ficou em cerca de R$ 18,5 bilhões, alta de 16,1% na comparação anual, mas queda de 2,1% em relação aos três meses anteriores. A carteira de crédito expandida terminou junho em R$ 1,31 trilhão, avanço de 1,5% em 12 meses e de 0,6% no trimestre.
O índice de inadimplência acima de 90 dias chegou a 5,61%, patamar bem superior aos 3,96% de um ano antes e também maior que os 5,05% do trimestre anterior. Na comparação com o guidance, o crescimento da carteira de crédito ficou na parte mais baixa do intervalo estimado, que ia de 0,5% a 4,5% no primeiro semestre.
Entre as linhas de crédito, a carteira de empresas teve o desempenho mais fraco, com queda de 6,4%, abaixo da expectativa que ia de -3% a 1%. A carteira agro, que vinha sendo o principal ponto de pressão nos últimos balanços, cresceu 4,1%, superando a projeção que ia de uma retração de 2% a uma alta de 2%. Já a carteira de pessoa física avançou 4,4%, abaixo do intervalo esperado de 6% a 10%.
Segundo análise de Malek Zein, analista CNPI pela Suno Research, o resultado do 2T26 é misto: de um lado, a receita avança com a expansão dos spreads e despesas sob controle; de outro, a inadimplência da pessoa física piorou no trimestre, com destaque para a linha de cartão de crédito.
O Banco do Brasil aproveitou a divulgação dos resultados para anunciar o pagamento de R$ 584,9 milhões em juros sobre capital próprio (JCP) complementares referentes ao 2T26. O valor corresponde a R$ 0,10245643978 por ação, antes dos impostos. Com a atualização pela taxa Selic acumulada até 12 de agosto, o montante chega a aproximadamente R$ 0,1041 por papel, embora a correção continue incidindo até a data efetiva do pagamento.
Para receber os novos proventos, o investidor precisa ter ações do Banco do Brasil em carteira no fechamento do pregão de 1º de setembro de 2026, data-com que define quais acionistas terão direito ao pagamento. A partir de 2 de setembro, BBAS3 será negociada na condição ex-JCP, significando que quem comprar as ações a partir dessa data não participará desta distribuição específica. O dinheiro será pago em 11 de setembro de 2026.
Um acionista com 100 ações teria direito a aproximadamente R$ 10,25; com 500 ações, cerca de R$ 51,23; com 1.000 ações, aproximadamente R$ 102,46; e com 5.000 ações, cerca de R$ 512,28. Os juros sobre capital próprio estão sujeitos à retenção de Imposto de Renda na fonte conforme a legislação aplicável, de modo que o valor líquido que efetivamente chega ao investidor será menor que o montante bruto anunciado, salvo nos casos de acionistas legalmente isentos. Para quem possui as ações por meio de uma corretora, os recursos são repassados pela instituição responsável pela custódia dos papéis, podendo ser creditados em conta corrente ou poupança-ouro. Acionistas com cadastro desatualizado terão o pagamento retido até a regularização dos dados.
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