Banco do Brasil dispara 11% após resultado do primeiro turno das eleições
As ações do Banco do Brasil (BBAS3) dispararam 11% nesta segunda-feira, atingindo R$ 26,33, após a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais. O movimento reflete o otimismo dos investidores com o cenário político que se desenha para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O resultado das urnas mostrou Flávio Bolsonaro (PL) na liderança com 47,03% dos votos válidos, à frente dos 45,16% obtidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A percepção dos profissionais do mercado é de que uma virada no segundo turno é pouco provável, o que contribuiu para o otimismo nos negócios.
O desempenho das ações do Banco do Brasil está inserido em um contexto mais amplo de reprecificação dos ativos brasileiros. O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa brasileira, rompeu máximas históricas, ultrapassando a marca de 200 mil pontos pela primeira vez e operando em alta de 8,39%, aos 208.226,13 pontos. Na mesma sessão, as ações da B3 (B3SA3) lideraram os ganhos do índice, com avanço de 26,11%, cotadas a R$ 23,96.
A valorização também se estendeu ao câmbio. O dólar amanheceu em queda acentuada, perdendo mais de 4% de valor e rompendo o piso de R$ 5. Por volta das 10h50, a cotação marcava R$ 4,978 na compra e R$ 4,979 na venda, recuo de 4,55% frente ao real.
Um estudo do Morgan Stanley sobre a relação histórica entre as ações do setor financeiro e os juros de longo prazo explica em grande medida a reação do mercado. Ao analisar os últimos dez anos, o banco identificou que todas as ações financeiras de sua amostra apresentaram historicamente relação negativa com as taxas longas brasileiras, ou seja, tendem a subir quando os juros caem.
Para o Banco do Brasil, a sensibilidade calculada é relevante. Historicamente, uma queda de 100 pontos-base, ou 1 ponto percentual, nos juros longos esteve associada a aproximadamente 13% de valorização de BBAS3. Esse número coloca o BB à frente de outros grandes bancos tradicionais. Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) mostraram sensibilidades de aproximadamente 11%, enquanto Itaú ficou em cerca de 10%.
Os destaques do setor são as empresas de pagamentos e mercado de capitais. PagBank e Stone apresentam sensibilidade próxima de 17% para cada queda de 1 ponto percentual nos juros, enquanto BTG Pactual (BPAC11), XP e Nubank aparecem perto de 15%. A B3 fica em cerca de 13%, patamar semelhante ao do Banco do Brasil.
No exterior, as negociações já sinalizavam um início forte para a abertura do mercado brasileiro. O ETF MSCI Brasil, listado na bolsa de Frankfurt, chegou a subir mais de 14%. Ações de companhias brasileiras negociadas no exterior, como Itaú Unibanco (ITUB4) e Petrobras (PETR4), também se valorizavam.
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