Anvisa aprova primeiro medicamento não hormonal para sintomas da menopausa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na segunda-feira um novo medicamento para o tratamento de ondas de calor e suores noturnos associados à menopausa. O fármaco, comercializado com o nome Veoza e desenvolvido pela Astellas Farma, representa uma opção terapêutica não hormonal para mulheres que não podem ou preferem não utilizar a reposição hormonal, considerado o tratamento padrão-ouro para esse tipo de sintoma. O novo tratamento é administrado na forma de comprimido diário.
O medicamento contém fezolinetanto, substância que funciona bloqueando o receptor específico no qual a neurocinina B se encaixa nos neurônios. Sem essa conexão, o hipotálamo consegue regular a temperatura corporal de maneira mais estável. Diferentemente das terapias convencionais que repõem estrogênio, o remédio ajuda a equilibrar o controle de temperatura no cérebro, reduzindo a intercorrência e a intensidade dos sintomas vasomotores.
Os sintomas vasomotores afetam uma parcela significativa da população feminina em determinada faixa etária. Ondas de calor e suores noturnos atingem até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos. O mecanismo biológico por trás desses sintomas envolve o desequilíbrio entre estrogênios e neurocinina B. Antes da menopausa, há um equilíbrio entre os estrogênios, hormônios produzidos pelos ovários, e a neurocinina B, uma substância química cerebral. Essa estabilidade regula o centro de controle de temperatura do corpo localizado no hipotálamo. À medida que o corpo passa pela menopausa, os níveis de estrogênio diminuem e esse equilíbrio é interrompido, podendo levar às ondas de calor e aos suores noturnos.
A aprovação pela Anvisa ocorre após resultados de três ensaios clínicos de Fase 3 que incluíram mais de três mil participantes na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá. Segundo os dados apresentados, o fezolinetanto demonstrou eficácia e segurança tanto em curto quanto em longo prazos, mostrando melhora na frequência e intensidade dos sintomas. Os resultados foram percebidos já no primeiro dia de uso do remédio.
Para a comunidade médica, a aprovação representa um avanço significativo. Segundo Nilson Roberto de Melo, ginecologista e presidente da Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC), a aprovação do fezolinetanto pela Anvisa responde a uma necessidade enfrentada por milhares de mulheres na menopausa. Historicamente, as opções não hormonais para o manejo dos sintomas vasomotores eram limitadas a algumas classes, e este novo tratamento oferece uma nova possibilidade terapêutica. Melo destaca que o novo medicamento trará benefícios substanciais para as pacientes, não apenas aliviando os calorões e suores noturnos que afetam profundamente a qualidade de vida, mas também contribuindo para um bem-estar psicológico mais equilibrado.
Ainda não foi divulgada data de lançamento no mercado brasileiro nem o preço recomendado do medicamento. Essas definições serão estabelecidas pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
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